quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Por um Natal mais festivo!(Céu Maria, uma boa menina, para Papai Noel.)


Barbudo,
Sei que já passei da idade de escrever cartas pro senhor, sei que puxei a barba dos teus assistentes e não acreditei em ti. Mas hoje, eu fecho os olhos e torço para que a magia do natal não se perca.
Sabe, Noel, eu sei que existe uma porção de crianças que foram boas a vida inteira e ficarão sem presente neste natal. Como posso, então, acreditar na tua existência?
Há relatos de que fizeste milagres, não acredito, para mim, a tua existência já seria um milagre. Um milagre bonito e aconchegante que traria esperança ao mundo.
Então eu ignoro o meu ceticismo e não quero nem saber se foste inventado pela Coca-Cola ou se és ou não símbolo do cristianismo. Não quero saber. Eu tento acreditar, porque preciso, que o bom velhinho está em algum lugar lendo esta carta enquanto os duendes empacotam os presentes.
Se eu fosse você, Barbudo, deixaria doces e presentes para todas crianças, mas todas mesmo – pode ser até um sonho, ou dois – junto com a máquina de fazer nuvens de algodão. E não me esqueceria das crianças sem endereço, pois são as que mais precisam daquele embrulho mágico que guardas os sonhos. E faria isso sem demora, antes que o teu trenó movido à esperança pare de funcionar.

Isso É uma ameaça!

Brasil, mostra a tua cara!


22 de novembro, 102 anos da Revoltada Chibata,um dos mais importantes movimentos populares no Brasil contra os maus tratos de uma classe dominante, controladora das riquezas e das instituições.
João Cândido e seus colegas pobres e descendentes de escravos tomaram o destino de suas vidas nas mãos e fizeram história.A nossa História é cheia de expressões coletivas, com grandes reações da elite encastelada.Não lhe faltam instituições para  subjugaar o povo,seja exército,polícia,justiça ou mídia.
Entre 1896 e 1897 o Exército exterminou a população de Canudos, idosos,mulheres e crianças, após fotografá-los  sentados no chão. Os soldados ex-combatentes, tão miseráveis quanto os assassinados,  ocuparam o Morro e nele plantaram uma fava (favela) trazida do campo de extermínio.A fava foi erradicada, mas a favela se alastrou. Em 1904, o povo se rebelou contra a vacinação compulsória, que lesionava e matava, por efeitos colaterais.
Toda a agressão  do Estado contra o povo é feita em nome da pacificação.
Mas, nem todo domínio se faz com o exercício da força.
Há também persuasão e manipulação. A queda de um Avião em Congonhas,por falha humana, até que as investigações concluíssem a causa,  foi tratada como responsabilidade do governo federal que não teria feito ranhuras na pista para aumentar a aderência.O julgamento do mensalão  se transformou em espetáculo e alegria dos que rejeitam a presença do povo nos aeroportos, que dizem estar parecendo rodoviárias.Nenhuma frase é melhor exemplificativa do que pensa a classe dominante que aquela proferida por um senador:
“Estou encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

Z U M B I (Miscigenação)


Nós  não passamos pelo teu crivo, porque  não nos  medimos pelo teu buraco. A tua peneira é pra tuas negas, tua turma, o povo da tua praia. Nós sacudimos em outra rede,que separa outros farelos, que não os do teu bico. Passamos ao largo de tua purificação, porque estamos satisfeito  como pecador que somos.
Misturamos yanomamis com tchecos, tapetes persas com cortinas plásticos de puteiros. Sua morada  é de página de revista, não somos personagem pra  teu cenário.
Sua grife não nos veste, porque insistimo num figurino que só caiba em nós. Vai desfilar suas tendências em passarela pra boi de presépio, que na próxima estação vai usar cinza concreto, que é ridículo e triste.
Compramos em liquidação, na arara da pro-mo-ção! Peça cara é a eternidade de nossa alma. Armani com Mercadão. Nossos deuses negros não podem ser medidos pelo teu bom gosto colonizado.
Asséptica s criaturas de alma dissecada em curtume que nunca questionam se o que te vendem vale.
Não,eu não vou falar baixo, eu não quero ser aceito no teu salão. Tua festa não quero convite, teu baile dança um ritmo onde eu atravesso e desafino. Sigo com as putas pro Cais, com os engraçados  pra folia,. Querem ar-refrigerado, queremos  fogueira enluarada; querem música  etiquetada. queremos os tambores para rodar o mundo.Tu,viajado;nós,passeado.Nós tsunami, voces calmaria.
Não nos arrependemos dos vômitos, das merdas, dos erros; não nos orgulhamos das glórias, dos aplausos, do dinheiro. Fomos como somos: Não há régua que possa nos comparar, bando de elásticos tentando adivinhar até onde podemos esticar, e que ninguém arrebente! Sem fórmula, sem metragem, sem peso, sem culpa.
Nós saímos do lugar onde nascem os sonhos; vocês nunca saíram deste lugar onde te colocaram de castigo.