quinta-feira, 19 de março de 2015

MULHERES REACIONÁRIAS


Meu pai, me ensinou que eu ganharia qualquer dinheiro,
se trabalhasse com tesão. Pior para meu pai, era ter uma filho
reacionário. Minha mãe, tão progressista como ele, teria
muita vergonha de mim (e minha avó, mais ainda) se, em pleno
2015, saísse por aí batendo panelas e a defendendo retrocessos.
A convivência com parentes e amigos que sofreram com o golpe
me ajudou a entender melhor os conceitos de processo histórico,
explicados por cientistas sociais.
Dilma e Lula podem até ter errado no controle da corrupção (doença
do capitalismo mundial). Mas reivindicar um golpe que nem os militares
querem mais dar,isso é um absurdo.
Essa espécie de ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’, depois de
anos de lutas pelas Diretas Já, por mais maquiada e badalada que tenha
se apresentado, faz com que as memórias surjam, Sobre as classes médias
recalcadas que desejam o poder, mas não mudam nada. Panelaços não são 
revolucionários.
Minha avó, ligada a JK e a Jango, tinha horror às mal-amadas de Carlos
Lacerda, no Rio, e às paulistas metidas a besta que ajudaram o padre ir
landês Patrik Peyton (ligado à CIA, aos imperialistas e à direita ) a 
organizar a marcha em São Paulo, a 19 de março de 1964, dias após o 
Comício da Central. A manifestação que ajudou a derrubar Goulart usou o
nome de Deus para implantar um regime que matou e impediu o Brasil de 
seguir em frente.
As mulheres reacionárias que vi na infância eram parecidas com as de hoje.
As de 64 usaram terços e crucifixos para pregar o golpe contra Jango,
“comunista e ateu”. 
Temos que tomar cuidado com as mulheres reacionárias, (e com os homens
influenciados por elas!)