sábado, 30 de junho de 2018

N E T O


Sem ter feito nada para isso, de repente eles chegam...Sem os compromissos.
Com a idade chega a saudade de alguma coisa que a gente tinha e que fugiu sutilmente junto com a mocidade. Para onde foram as crianças? Transformaram-se naqueles adultos cheios de problemas que hoje são filhos, que têm sogro e sogra, a gente  não encontra as crianças perdidas. São homens e mulheres, não são mais aqueles que a gente recorda.
E então, um  dia, sem que nos fosse imposto nenhuma das agonias da gestação ou do parto, completamente grátis,
sem dores, sem choro, aquela criança da qual morriamos de saudades, longe de ser um estranho, é um filho que nos é devolvido.
E o espanto é que todos lhe reconhecem o direito de o amar com extravagância.
Tenho certeza de que a vida nos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vem ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelo tempo.
E quando vamos embalar a criança  e ela, tonta (o)de sono abre o olho e diz: "Vo!", o coração estala de felicidade, deslocando os stents,...


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