Até 25 de outubro, vamos nos equilibrar entre a angústia, o medo e a esperança. A angústia de saber que obscurantismo pode voltar. O medo é consequência dessa possibilidade. Se Flávio Bolsonaro vencer, e não vai vencer, retrocederemos milhares de anos da vida. Não é perder uma eleição numa democracia, é perder a democracia em uma eleição. É o caos. O atraso. A volta da fome. O fim da cultura, a sucateação do SUS, o estrangulamento da educação, É a barbárie sendo implantada por bárbaros.
Conversar com mitômano, pessoas falsas, sem ética, sem limites. Tenho dificuldade de debater com quem não tem critérios éticos e democráticos. A pergunta bem-feita e séria, e a resposta é sem compromisso com a verdade, com os fatos.
A mentira sobre a prestação de contas do contrato do filme Dark Horse. A Imprensa toda engoliu a mentira da falsa prestação de contas. Inclusive a omissão da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo. O silêncio dele só repercute o imenso silêncio da imprensa
Flávio sabe que roubou mais de 80 milhões de dinheiro público para o filme. Ele disse dezenas de vezes: “Não tem dinheiro público, está tudo explicado e é um negócio privado.” Todas as pessoas sérias sabem que não é verdade. Não há nenhuma dúvida de que o dinheiro é público e, é óbvio, não houve prestação de contas. Mas o eleitorado dele acredita. A única maneira de questionar seriam investigações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, com decisão da Justiça. Não ocorreram. Ele vai continuar zombando da cara de todos e dizendo que já explicou. E o seu eleitorado, exultando. É a hipocrisia e a mentira.
É como a conquista dos trabalhadores com o fim da jornada 6×1. Êxito evidente do governo Lula. Flávio Bolsonaro, oportunistamente, liberou seus comparsas para votar. Ele não compareceu à votação. Já disse que, se eleito, vai mudar o projeto, mesmo tendo apoiado. Não vai, porque não vai ganhar. Não vai derrotar o Brasil.
O que nos deu chance e fôlego para tentar salvar a democracia foi chegar atrás no primeiro turno. Se tivéssemos mais votos, seríamos massacrados neste segundo turno. A campanha estava morna, sem tesão, desorganizada. Com a derrota no primeiro turno, em vez de desespero, veio a garra de garantir a Democracia. É outra campanha. Com cheiro de virada. Com alegria e medo ao mesmo tempo, não o medo paralisante. Faz bem. As pessoas, milhões de jovens, tomaram as ruas. Foi a ânsia de liberdade, a ânsia da vida por si mesma, o terror à barbárie, o susto da violência institucional, a lembrança da ditadura, a sombra das mortes na pandemia, o nojo da ultradireita atrasada e castradora. Os jovens foram para as ruas com mais força do que nas Diretas. É um inconsciente coletivo.
Agora temos a certeza da necessidade de manter a democracia. Não é direita e esquerda. É morte e vida. Barbárie e civilização. Ar puro ou falta de ar. Cultura ou obscurantismo. Saúde ou doença. Vacina ou peste.
Vamos virar porque precisamos ganhar. Não dá para entregar o Brasil para esse bando. Ainda estão vivas em todos nós a prepotência, o descaso e a crueldade na pandemia.
Com a derrota de Bolsonaro em 2022, mais do que com a vitória de Lula, voltamos a respirar. Vamos virar. Vamos dar uma chance à vida e à democracia.
Sem luta, não temos esperança, e sem esperança, sem luta o que temos não pode ser chamado de vida.