terça-feira, 24 de junho de 2025

O TEMPO PASSANDO

 


Tenho 7 anos. Olho para minha professora e procuro desculpas para que ela me veja. Faço perguntas desnecessárias e comentários que tentam roubar algum riso seu. Em casa, penso no que dela fica em mim. Seu jeito de andar, sua braveza leve, seu penteado, seu perfume. 

Tenho 14 anos e não gosto do que vejo. Uma vergonha de ainda não ser homem. Uma preocupação de não ser mais criança. Natália tem 18, não me olha como eu a olho. Sou um amigo responsável e é ela a mulher que desejo para a eternidade. Acabou, há pouco, um namoro. Aprendi a palavra entressafra. Senti ser o momento ideal para dizer meus sentimentos. Deu em nada. Jogou um olhar piedoso e decidiu não querer estragar a amizade. O consolo que era ela 'namoradeira demais', concluí .

Tenho 17 anos. Estava tudo bem. Janaína 20 anos desceu de algum planeta para iluminar minha vida. Me ofereceu, sem pestanejar, o paraíso. Foi o que senti na primeira vez em que nos deitamos juntos. Meu corpo se transformou, meus pensamentos, também. Os risos constantes atestavam minha sanidade. Era bom ser dela. O futuro já estava certo, quando, sem muita cerimônia, ela partiu. E eu, partido.

Tenho 23 anos. Desmarcamos o compromisso. Subitamente. Talvez tenha sido eu o portador do erro. Respondi aos seus desejos de futuro com posturas evasivas. Fiz, repetidamente, o discurso da liberdade. Sabendo que o enlace mais aprisiona que pereniza sentimentos. Juliana, então, arrumou sua parte na nossa história e se foi. Era inverno e, em pouco tempo, compreendi o meu erro.

Tenho 30 anos. Marina é linda. É de todas as mulheres que conheci a que mais se alimenta de poesias e de flores nascidas de encontros suaves dos cotidianos. Tão minha e eu não dela. Foi então que, cioso da eternidade de nossa história, fui brincar com outras histórias. Na imaturidade dos meus anos, quis mostrar aos meus amigos o meu poder. E, então, ela disse "não". Tentei explicar. Ela cobriu minha voz com seu choro calmo e partiu. E eu sofri como sofrem os imbecis. Tentei colar. Os cacos despedaçados já não se encontraram.

Tenho 40 anos. E brinco de desencontros. Prefiro a solidão ao medo da perda. Me enrosco em palavras, quando me interessa o encontro. E, logo depois, justifico a decisão irrenunciável de permanecer sem ninguém.

Tenho 49 anos e estou completamente apaixonado. Penso o dia inteiro em quem dia nenhum pensa em mim. Já ofereci o mundo e já recebi nada. Falamos algumas vezes depois e ela se mostrou decidida a permanecer sozinha. É o que me diz. Já investiguei se outro a tem em meu lugar. Descobri nada.

Tenho 60 anos e conheci virtualmente, quem comigo vai descortinar as estações. Foi sem procurar e surgiu ela em um daqueles dias pandemônicos de isolammentos, silenciosos de nenhuma espera. Ou melhor, para ser lírico, foi em uma praça, foi em um pedido de informação. E nos informamos que o melhor era nos guiarmos para não nos perdermos mais.

Ela vive comigo o amor que espanta as teorias de que só nos inícios se experimenta as quenturas. Nos surpreendemos com delicadezas e nos ousamos mais. O que fazemos é forte e aquece os dias bem vividos.

Tenho 70 anos e continuamos como no início.

Tenho 77 anos e ando com a sensação adolescente de uma paixão correspondida. 

Tenho 84 anos e estou sentado na mesma praça em que a conheci. O dia está frio. E, ao, longe a vejo chegar sorrindo.

Tenho 91 anos e vivo bem de saúde e de amor. É Ela que conheci há alguns anos, eu tinha 60, em uma praça, que esquenta o seu corpo no meu. Nos amamos com respeito e respeitamos nosso jeito de decidir viver acompanhado. O amor nos promete o milagre da longevidade

Tenho quase 100 anos, mas sobre esse dia falo em outro momento, sem pressa.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

O SUCESSOR DO LULA É O PT.

 


                                                                                                                                       

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve disputar a reeleição em 2026, mas o Partido dos Trabalhadores precisa se fortalecer para garantir um futuro político.

O sucessor de Lula é o PT, não basta ter nomes competitivos se a base partidária estiver desorganizada.

Nós, a esquerda, não errou pois e apesar de tudo o que aconteceu conosco entre 2013 e 2019, voltamos ao governo em 2022. Nós ganhamos cinco eleições. Nós, a esquerda, se debilitou muito, e não se fixou nas redes sociais.

O PT, a base do PT, não perdeu porque o PT deu resultado eleitoral, temos influências na sociedade e o PT se elegeu. O PT, como partido, organização partidária, se desorganizou, perdeu as instâncias, que deixaram de funcionar muitas vezes. Não conseguimos avançar na comunicação das regiões.

O retorno de Lula ao poder foi uma reação à extrema direita. Não foi uma vitória da esquerda, foi uma vitória da Democracia, foi uma vitória do antibolsonarismo.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

QUERERES!!

 



Quero grafar no teu corpo as minhas vontades:

Nos teus pés o peso de minha alma.

Nas tuas pernas e coxas,

A saliva da minha língua.

No teu sexo a minha libido

No teu ventre o meu filho,

Nos teus seios a vida,

Nas tuas mãos as minhas mãos, caminhando.

No teu pescoço o meu cheiro,

Na tua boca a minha poesia,

Nos teus olhos o meu olhar,

No teu cabelo o meu gostar,

Nas tuas costas o meu abraço,

E nos teus ouvidos o meu amor. 


"Quando me pego mais insano

É que estou  pensando em você

Ai, nem o ar me resta  

Aí, minha voz me falta

Aí, a poesia é o que presta."

Errado distribuir o peixe, o certo é ensinar a pescar!

 


Se a justificativa que você encontra para condenar o Bolsa Família é a de uma platitude do tipo "está errado distribuir o peixe, o certo é ensinar a pescar", preste atenção. O Foreign, Commonwealth & Development Office e o Medical Research Council, órgãos do governo britânico, e a instituição filantrópica Wellcome Trust, organizações da maior respeitabilidade, patrocinaram um estudo que acaba de ser publicado na prestigiosa revista médica The Lancet. Nele, foi avaliado o impacto do Bolsa Família na saúde dos brasileiros nos 20 anos que se passaram desde a sua criação, em 2004.

Atualmente, o programa atinge mais de 20 milhões de famílias e cerca de 55 milhões de pessoas. Estudos anteriores tinham demonstrado que o programa reduzira em 18% a mortalidade total das mulheres, além de diminuir a mortalidade infantil, a materna e os óbitos por causas específicas como HIV, Aids e tuberculose, especificamente entre as pessoas vulneráveis. Não havia, avaliação de sua relação com o número de internações hospitalares e com a mortalidade geral por faixa etária. A publicação da Lancet mostra, pela primeira vez, um estudo com abrangência analítica adequada para avaliar o impacto do Bolsa Família na mortalidade e nas hospitalizações em três grupos etários: abaixo de cinco anos, de cinco a 69 anos e com 70 anos ou mais.

Os principais achados foram:

1) Nos 20 anos analisados, a mortalidade geral dos beneficiários caiu 18%, queda que ocorreu em todas as faixas etárias.

2) Nesse período, o programa evitou 8,2 milhões de internações hospitalares e 713 mil mortes, em números arredondados.

3) A mortalidade infantil diminuiu 33%. Ou seja, de cada três mortes de crianças com menos de cinco anos que ocorreriam sem o Bolsa Família, uma foi evitada.

4) A hospitalização de mulheres e homens com 70 anos ou mais caiu pela metade.

O Bolsa Família é considerado pelas organizações internacionais um programa de transferência de renda condicional, uma vez que impõe a observância de contrapartidas para ter acesso a ele: frequência das crianças na escola, manter em dia a caderneta de vacinações e as consultas do pré-natal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracterizou com três "C" os principais desafios socioeconômicos impostos a diversos países nos últimos anos: Covid, clima e conflitos. A conjunção desses fatores adversos provocou aumento da pobreza e piora dos indicadores educacionais na maior parte do mundo. O aumento da dívida pública consequente a esses agravos levou à adoção de medidas de austeridade fiscal, com cortes de orçamento que reduziram investimentos em medidas de proteção social e de acesso aos cuidados com a saúde pelo mundo inteiro.

Em 2024, o investimento no Bolsa Família foi de R$ 218,5 bilhões. Cada beneficiário custa, em média, aos cofres do governo federal, aproximadamente R$ 684. Convenhamos que não é um custo proibitivo: representa apenas 0,4% do PIB brasileiro. Por outro lado, cada R$ 1 investido faz girar R$ 2,40 no consumo dessas famílias.

É difícil calcular quanto o SUS economizou com as internações evitadas no decorrer desses 20 anos. Além da inflação no período, os valores médios pagos por internação são muito variáveis. As diárias hospitalares vão de R$ 300 a R$ 800, no caso dos problemas clínicos mais simples, e de R$ 5.000 a mais de R$ 15 mil nos casos de alta complexidade. O dinheiro economizado com internações, os ganhos de produtividade dos que não precisaram ir para o hospital e dos que não perderam a vida devem ser descontados do investimento do programa.

Existem os que se queixam de que o programa gera acomodação dos beneficiários, que deixam de trabalhar para viver das benesses do governo. É provável que seja verdade, mas vamos atacar essa questão somente quando soubermos quantificá-los.

Quantos são? Onde vivem? Quais são as características socioeconômicas desse grupo específico? Enquanto não formos capazes de obter dados confiáveis, ficaremos discutindo opiniões sem base em evidências, conversas de redes sociais e palpites de botequim que não ajudam em nada.

Vivemos num país com recursos naturais invejáveis para o resto do mundo, grande número de profissionais bem treinados, alguns dos quais com pós-graduação nas melhores universidades do Brasil e do mundo, mas ao mesmo tempo com uma das mais perversas distribuições de renda. Um país onde 1% mais rico da população ganha 39,2 vezes o que ganham os 40% mais pobres, segundo o IBGE, nunca estará entre os mais desenvolvidos nem terá paz nas ruas.

terça-feira, 17 de junho de 2025

Viagens de Lula

 



Viagens de Lula rendem mais de R$ 160 bi em investimentos

Ainda estão frescas na memória  as cenas de um presidente sendo  ignorado nos encontros com os chefes de grandes nações ou passeando sem agenda oficial apenas “para comer pizza em Nova York”. Ou pior: aproveitando viagens para negócios estranhos, com joias caras servindo de adereço.

Mas isso, mudou. O Brasil voltou, não somente pelo respeito que seus representantes recebem no exterior, mas pelo que isso significa em investimentos e negócios para empresas brasileiras pelo mundo. 

As viagens do presidente Lula em 2025 resultaram em anúncios de mais de 160 bilhões de reais em investimentos no Brasil, dinheiro que virá do Japão, China e França. E não é só: as viagens abrem marcados  para a exportação de produtos brasileiros. O resultado são investimentos em áreas fundamentais, como infraestrutura, energia renovável, logística, alimentação, medicamentos e mais empregos no Brasil.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

NO TEMPO DA DELICADEZA!

 


Você ser minha bossa

Minha traça.

Teu cabelo no meu peito

Faria de mim teu enredo

Teu verso, minha prosa.

Teu sono meu sonho,... acordado

Meu medo, meu laia,

Meu samba, minha vida, meu povo.

Minhas estrofes, minha poesia.

Abraços guardados de saudade.

Faria uma lua somente para você

Transformaria a terra em mar,

Para sempre haver horizonte.

Deixar-te posta em versos

Pra fazer-te poesia

Sem modo

No tempo mais que perfeito!

Ah quem me dera ter-te

Amar-te

Até morrer-te

segunda-feira, 9 de junho de 2025

JA É 2026

 A mídia comercial declarou guerra contra Lula já de olho em 2026 — é corrida contra o tempo para emplacar um direitista da vez. É óbvia a vontade de esconder tudo de positivo sobre o Lula, diminuir os avanços e, ocultar a autoria.  

Eles querem evitar qualquer benefício à imagem do presidente, do PT junto às pesquisas, criam um desgaste progressivo. Essa campanha em pintar a histórica viagem de Lula como passeio desnecessário e perdulário. É essa a explicação para matérias indigentes sobre diárias, despesas, gastos insignificantes diante do simbolismo e dos resultados. 

O jornalismo sério, responsável e sem viralatismo faria matérias  e exporia a relevância das homenagens e dos eventos. Mostraria a dimensão de Lula como estadista e traduziria a realidade sem o filtro ideológico para formar uma opinião pública crítica e consciente. Mas a torpeza guiada por ódio de classe sem cura sonega o país os fatos e aniquila informação para produzir efeitos eleitorais.


domingo, 8 de junho de 2025

TÔ COM MARINA

 


EU? TÔ COM MARINA


Um senador que ameaça

Enforcar uma ministra,

É uma alma sinistra,

Um misógino da desgraça...

Um defensor da trapaça,

Da garimpagem assassina,

Do tráfico de cocaína

Da queimada da floresta,

Alma sebosa... não presta,


EU? TÔ COM MARINA!


“SE ponha no TEU lugar”,

Relinchou o engravatado

Com o Português ‘enforcado’,

Mandando o som desligar...

Mandar Marina calar

É Misoginia cretina

De quem produz a ruina

Do ambiente e da ética...

Frente a essa gente patética,


EU? TÔ COM MARINA!


Quem tá fazendo essa guerra

Cruel, escrota e infame

É quem mata Ianomami,

Quem rouba o ouro da terra,

Bancada da motosserra,

Do boi e da carabina,

Gente que é contra vacina,

Uma quadrilha safada

Que mata e passa a boiada...


EU? TÔ COM MARINA!


É a corja das emendas

Do Orçamento secreto,

Matam Sem-terra e Sem-teto

Transformam selva em fazendas...

Só cabe em suas agendas,

Machismo, golpe e chacina;

Gente movida a propina

Que empurra o Brasil pra trás...

Vade Retro, Satanás,


EU? TÔ COM MARINA!

domingo, 1 de junho de 2025

A seletividade não é falha do sistema, é parte dele.



MC Poze foi preso em sua casa, localizada em um condomínio luxuoso do Rio de Janeiro. Foi conduzido algemado, sem camisa, descalço e escoltado por policiais, como se representasse alto risco ou estivesse fortemente armado. Não adianta ter dinheiro, sucesso ou fama. O Estado faz questão de lembrar como trata se for negro ou de favela.

Enquanto manifestações culturais da elite são celebradas, expressões culturais negras e faveladas seguem sendo alvo de repressão, censura e criminalização. A seletividade não é falha do sistema, é parte dele.

Cultura não é crime!