quinta-feira, 30 de abril de 2026

Pensar o PRIMEIROS DE MAIO!

 

O dia 1º de Maio, mais do que memória, é o ponto de partida para o futuro. Vamos aprofundar a precarização ou reconstruir o pacto social do trabalho. Estamos numa disputa entre modelos — um de exploração e outro de valorização da vida, do tempo e da dignidade.

Recolocar o trabalhador no centro do desenvolvimento. A valorização do salário mínimo, o diálogo com sindicatos e a reconstrução de políticas públicas indicam uma reconstrução após anos de desestruturação.

Um avanço histórico promovido pelo presidente Lula é  a extinção da jornada 6X1, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, reafirmando que crescimento econômico e proteção social não são opostos, são complementares.

Não podemos pensar a vida do trabalhador apenas na escala de trabalho. 

Além da escala 6X1, é fundamental a da tarifa zero nos transportes coletivos, já adotada em diversas cidades, mostra que a mobilidade como um direito e como dimensão do direito à cidade e acessibilidade a todos os serviços que ela provê. Não se trata apenas de deslocamento para o trabalho, mas de acessar saúde, educação, cultura, lazer e oportunidades, reduzindo desigualdades e possibilitando a participação social no espaço urbano.

Extinguir a 6X1, e uma questão de dignidade, e outra, é o direito à água. Mais do que um recurso econômico, a água é condição básica de existência. Um recurso essencial a vida.

Garantir o acesso à água com regulação efetiva e controle social,  para assegurar condições básicas de vida. Uma questão de justiça social. Direitos não são concessões, mas resultado de mobilização e construção coletiva.

Pensar o PRIMEIROS DE MAIO, É pensar o modelo de desenvolvimento do país. Um projeto que combine crescimento com inclusão, reconhecer o trabalho como eixo estruturante das políticas públicas, reduzindo desigualdades e distribuindo os ganhos.

A luta pelo trabalho digno segue sendo central, mas se amplia: envolve a valorização de dimensões fundamentais da vida, como o direito à dignidade humana, à mobilidade urbana e ao acesso universal à água. 

Que o PRIMEIRO DE MAIO, não seja apenas de memórias, mas de inicio de agenda de transformações, de construções de outras memórias!


segunda-feira, 20 de abril de 2026

COMO TENHO PASSADO

 

Passar do tempo 

Tempo demais pro passado

Como tenho passado o tempo

Como o tempo tem passado 

Como tenho passado

De madrugada fico acordado

O que tenho feito nos últimos anos

Deixei de lado quais planos

Perguntam porque eu sumo

Porque eu fumo 

No que tô pensando

Tenho tentado

Juro tô tentando

Ser lógico

Entre os paranoicos

Ser simpático 

Entre os problemáticos

Leia o que estou escrevendo


Tô bem, tô bem, tô bem


Os dias não estão ruins

Estou bem assim

Preciso cuidar de mim

Antes quero uma dose de Gin

Overdose enfim,

Sem neurose na mente

Lembrei da minha mãe 

Que me suportou desde cedo

Ela sabe o que passo em segredo

O que oculto por trás do sorriso,

Sabe o que preciso 

Nado na dor, me afogo sem culpa

Então me escuta


Tô bem, tô bem, tô bem


(Tá, mas tá tudo bem mesmo, parece que não tá muito bem não, se não  tiver, tô aqui, converse com mãinha viu,...ele também tá aqui)

sábado, 18 de abril de 2026

OPRIMIDOS NAS VILAS FAVELAS!

 


A morte de 121 pessoas numa operação policial nos Complexos do Alemão e Penha, em outubro passado, foi a mais letal da história do estado. Depois da matança, o então governador foi cantar música gospel no altar de uma igreja em bairro nobre da cidade e foi aplaudido pelos religiosos presentes. A polícia mata muito, em serviço ou fora dele. Se não tivesse retaguarda não mataria. 

Há até uma justiça militar, somente para eles, para julgar seus crimes. É a única categoria profissional com justiça própria no Brasil.

Em São Paulo, um coronel da PM é acusado de feminicídio. Sua versão é de que ela suicidara. Com a esposa ainda agonizando, seus telefonemas foram para o comandante do seu batalhão e para um amigo desembargador. Posteriormente o comandante ordenou que praças fossem limpar o apartamento, o que pode ter apagado detalhes importantes para as investigações.

Em 2007 a polícia fluminense promoveu uma caçada durante o dia e promoveu chacina nas favelas da Coréia e Alemão. Foi a primeira chacina durante o dia no Rio de Janeiro. Em 2013, enquanto se discutiam se órgãos públicos poderiam ostentar símbolos religiosos, uma charge do cartunista Carlos Latuff, uma obra de arte com um homem crucificado sendo atingido por um tiro de fuzil disparado por um policial causou mais escândalo que todas as mortes. Um parlamentar que condecorava milicianos presos com honrarias da Assembleia Legislativa e mantinha familiares deles lotados em seu gabinete escandalizou-se com a obra de arte. A arte já denunciava a barbárie, que já se queria naturalizar.

A vida na periferia não tem valor. Uma mãe foi assassinada, na semana passada também em São Paulo, com um tiro disparado, friamente, por uma policial ainda em estágio. Mas em matéria de truculência já efetivada. Cinco crianças, entre 5 e 13 anos ficaram órfãs. A policial, mulher e negra, não considerou humana a outra mulher, nem lhe reconheceu o direito de viver. Estamos retrocedendo em civilidade.

A aprovação pelo Congresso Nacional, da lei que autoriza a criação de guardas municipais armadas, nos fará retornar ao Brasil Colônia com suas milícias a serviço do mandonismo local. O povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas será ainda mais subjugado. 

Uma das características do fascismo foi a descentralização da violência do Estado a fim de servir ao poder central e aos interesses inconfessáveis. Mas poderemos mudar o curso da história, desde que não naturalizemos a barbárie!

quarta-feira, 15 de abril de 2026

VIVER NÃO É SOBREVIVER!

 


Segundou, mas a que custo? 

Para quem vive a realidade da escala 6x1, a segunda-feira chega com o peso de uma semana que mal terminou. Não dá para ter qualidade de vida, tempo para a família ou para si mesmo quando o seu único dia de folga serve apenas para se recuperar da exaustão.

A luta pelo Fim da escala 6x1 também é sobre dignidade e saúde mental. 

A vida precisa ser mais do que apenas sobreviver ao trabalho!

domingo, 12 de abril de 2026

PAUSAR O TEMPO

 


O tempo devia ter parado
No tempo exato, no tempo do riso farto
Antes que o a velha senhora batesse à porta 
E fizesse o aparto
Devia ter parado!
Num abraço seguro 
Antes que virasse estrela, que virasse poeira 
E ficasse escuro
E tudo se transformar 
Sem eira nem beira 
Ah a vida! A vida deveria ter um registro! 
Pra gente fechar no auge 
Pra gente senti-la menos amarga e rude 
E beber o destino 
em fonte de saúde 
A gente puxar o freio de mão da existência!
Parar o mundo
Congelar a vida
Pausar o tempo no último instante 
do derradeiro sorriso.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

BEIJOS & ABRAÇOS

Queria fazer um poema-abraço

que a deitasse na cama

que a fizesse dormir.

Eu queria...

mas ela não vem

e eu não me deito

nem deixo

um poema

aqui

DESATUALIZANDO

 



Num mundo destrutivo

eu construo

me desatualizando.


Falta amor alheio

eu alheio a falta

amo.

Se tudo explode

ou implode

Sou o todo que arde.


Sementes que planto

na terra ou no ar

Multiplicam

Dividindo.


Sei

Mudei

Hei

de ver frutos

sábado, 4 de abril de 2026

ADESTRADORES FORMAM VASSALOS

 


Diálogo é a busca do entendimento por meio da palavra. É troca de ideias buscando o entendimento e a construção que se deseja expressar. Participei no início dos anos 80 da refundação de instituições, ainda sob a ditadura empresarial-militar. Naquela época alguns policiais participavam de grupos de extermínio, chamados esquadrões da morte. Mas atuavam na periferia e nas madrugadas. 

Recentemente o aparato repressivo do Estado passou a matar durante o dia e a promover chacinas, agora  estudantes são esbofeteados por policial militar dentro de uma escola pública estadual, mesmo sabendo que estava sendo filmado. Trata-se da banalização da violência policial. As bofetadas que a estudante levou do policial militar, dentro da escola, arde ainda no meu rosto.                                          

Em São Paulo, um policial militar é acusado de matar a esposa. Nas conversas de WhatsApp, ela falava da falta de respeito porque ele lhe teria batido na cara. Ele respondeu que sendo macho alfa a tratava como deve ser tratada uma fêmea beta. A hierarquização das relações humanas é a fonte dos abusos. Os tapas na cara de uma aluna, dentro de uma escola e sob filmagem, por um policial militar, pode ser o indicativo da possibilidade de violações mais graves à segurança, à vida e aos direitos dos cidadãos. A violação física e a dignidade dos alunos agredidos pelo policial militar não deve ser somente ao agressor, quem de qualquer modo contribuiu deve ser por ela responsabilizado. A direção do Colégio Estadual Amaro Cavalcanti tem, por ter pedido o uso da força para questão que deveria ser resolvida pedagogicamente, demonstrou desconhecer a Lei do Grêmio Livre, vigente desde 1985, os princípios propostos no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932, redigido por Anísio Teixeira, e o educador Darcy Ribeiro. Darcy e Anisio Teixeira foram os autores da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, somente editada no Brasil, tardiamente, em 20 de dezembro de 1961. Darcy, que tinha compromisso com a educação, foi o autor da atual LDB, editada no mesmo dia e mês daquela, no ano de 1996. 

Diretoria de escola não é função para burocratas, nem para agentes repressivos do Estado. Educar é preparar para a vida e para a cidadania, tarefa para professores. Formar é colocar em forma, tarefa para adestradores. Adestradores formam vassalos úteis, jamais educam para a liberdade e para a cidadania.