terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Uso a palavra para compor meus silêncios.

 



Saudades do tempo em que, no final de ano, dedicávamos a fazer planos. Às vezes, românticos e pueris, porém, acalentavam nossos sonhos por dias melhores,  intercalados com um pouco de realidade. Era um sonho sonhado acordado, os versos de Drumond, de Vinícius, nos permitíamos brincar com os sonhos e desejos e a realidade parecia mais leve. 

Tínhamos tempo. O tempo que  permite viajar sem sair do lugar. Um silêncio profundo e denso que parecia palpável. Uma certa calma  que parecia que o  tempo parava. É o que nos faz falta: ser dono do nosso tempo. 

O ritmo frenético da vida foi substituindo a  deliciosa preguiça que ditava os passos. Ninguém tinha vergonha de levar a vida com mais leveza, descontração e quase desinformação. Sem  cobranças, dos outros e de nós mesmos. Existiam espaços sagrados. Ninguém interrompia a leitura de um livro; Televisão era impensável. E o telefone, de discar ficava sozinho na sala somente para ser usado quando indispensável. Ir ao cinema, tinha a certeza de que jamais seria incomodado,  ninguém localizaria ninguém naquele mágico escurinho protetor.

 Acordávamos pela manhã, era só para acordar,  sonolentos e tranquilos. Não havia a necessidade de, antes ainda de sair da cama, verificar no WhatsApp se o mundo continua nos eixos. Ou procurar se informar pelo computador qual o desastre, a operação policial ou o escândalo havido enquanto dormíamos. 

Se o tempo era nossa grande conquista, hoje  a necessidade quase doentia por informação sufoca e, de alguma maneira, angustia. É como se tivéssemos perdido o controle mínimo da vida e do nosso destino. Até porque, do destino ninguém tem mesmo controle. 

Por isso, a partir de 2026, vamos cuidar de nos dar tempo e de tentar não correr atrás de coisas desimportantes. Vamos nos permitir poetar, namorar e olhar as pessoas com um olhar de querer ver. E vamos sonhar em ser feliz em um país mais justo, igual e solidário!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Sra. Malu Gaspar

 


CARTA DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES PARA A "JORNALISTA", DA GLOBO, MALU GASPAR

DA SÉRIE: "QUANDO A CABEÇA NÃO PENSA É O CORPO QUEM PAGA" DITADO ANTIGO, MAS MUITO ATUAL, PRINCIPALMENTE, PARA JORNALISTAS QUE TENTAM REVIVER O LAVAJATISMO.

À

Sra. Malu Gaspar

Jornalista – Rede Globo

Assunto: Responsabilização judicial por calúnia, difamação, danos morais, disseminação de fake news e imputação de crimes sem provas

Senhora jornalista,

Na condição de Ministro do Supremo Tribunal Federal e de cidadão atingido em sua honra, imagem, reputação institucional e vida privada, venho, por meio desta, tornar pública e formal a adoção de todas as medidas judiciais cabíveis em face das reiteradas condutas por Vossa Senhoria praticadas, as quais ultrapassam em muito o exercício legítimo da liberdade de imprensa e ingressam de forma deliberada no terreno da calúnia, da difamação, da fabricação de narrativas falsas e da acusação criminosa sem qualquer lastro probatório.

A liberdade de imprensa, é importante lembrar, não é licença para mentir, não é salvo-conduto para imputar crimes inexistentes, não autoriza a construção de enredos conspiratórios, nem permite que jornalistas se comportem como atores políticos travestidos de repórteres, manipulando fatos, distorcendo contextos e induzindo a opinião pública ao erro.

Vossa Senhoria, de maneira consciente e reiterada, veiculou acusações sem provas, sugeriu a existência de complôs armados, insinuou condutas criminosas inexistentes e produziu material que se enquadra, de forma cristalina, nos tipos legais de calúnia, difamação e danos morais, além de disseminação de fake news com potencial desestabilizador institucional.

Mais grave ainda: tais acusações não se deram por erro jornalístico pontual, mas por método, por narrativa construída, por intenção clara de criar um enredo político-criminal destinado a desacreditar decisões judiciais legítimas e criminalizar a atuação de um magistrado da Suprema Corte, algo incompatível com qualquer noção mínima de responsabilidade profissional.

A tentativa de Vossa Senhoria de apresentar ilações como fatos, versões como provas e conjecturas como verdades reproduz, em essência, o mesmo modus operandi que marcou um dos mais conhecidos episódios de lawfare da história recente do país — episódio este que culminou na instrumentalização do sistema de justiça para fins políticos, nos moldes do que foi praticado pelo então juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A diferença, neste caso, é que a toga não será utilizada para perseguir, mas para proteger o Estado de Direito, inclusive contra abusos cometidos por quem se esconde atrás do rótulo de “imprensa” para agir politicamente.

Não se trata, portanto, de censura, como previsivelmente será alardeado. Trata-se de responsabilização. A democracia não sobrevive quando jornalistas se arrogam o direito de acusar sem provas, condenar sem processo e manipular a opinião pública por meio de insinuações maliciosas.

Por essas razões, ficam desde já anunciadas e protocoladas as seguintes medidas judiciais:

Ação penal por calúnia, diante da imputação de crimes inexistentes;

Ação penal por difamação, pela tentativa deliberada de macular reputação e honra funcional;

Ação cível por danos morais, diante dos prejuízos pessoais, institucionais e familiares causados;

Responsabilização pela disseminação de fake news, nos termos da legislação vigente;

Apuração de eventual associação para a produção de narrativa fraudulenta, caso se comprove atuação coordenada;

Investigação sobre abuso do exercício da atividade jornalística, quando convertida em instrumento político;

Responsabilização por acusação sem provas e construção de complô fictício, com claro dolo informativo.

O jornalismo sério fiscaliza o poder.

O jornalismo irresponsável ataca a democracia.

E o jornalismo que mente não merece proteção constitucional.

Que este episódio sirva como alerta: ninguém está acima da lei, nem magistrados, nem políticos — e tampouco jornalistas.

A Constituição protege a crítica, não a mentira.

Protege a imprensa livre, não a imprensa fraudulenta.

Protege a democracia, não projetos de poder disfarçados de reportagem.

Atenciosamente,

Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal

sábado, 27 de dezembro de 2025

QUE VERGONHA

 



Muito triste e humilhante os principais assessores do ex presidente Bolsonaro. O ex-presidente, já se revelou um indigente intelectual e uma pessoa com baixíssima capacidade de se situar, se posicionar. Quando presidente era humilhação permanente. 

As cenas do ex- presidente em reuniões internacionais matava de vergonha.

Agora a situação é de horror. A tal Zambelli, que votou contra os direitos mínimos- absorvente feminino -das presas quando era deputada, agora se arrasta, se humilhando na prisão italiana.  Dà pena. Foi agredida fisicamente na prisão pela prepotência . 

O filho Eduardo se gabou de mandar no Trump e afrontou o Brasil. Hoje é uma sombra da prepotência anunciada. Cassado. Humilhado. Vai ser preso. 

O governo americano retirou, ou começa a retirar, as sanções criminosas  a brasileiros. Uma vitória do governo Lula, da soberania e nossa, o povo brasileiro. 

Agora a cena patética da prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. Humilhante. Foi preso com um passaporte falso ao entrar no Paraguai- onde não é necessário passaporte para entrar- e, o cúmulo, com uma declaração por escrito que era surdo, mudo e não poderia responder a perguntas!! Parece brincadeira, mas é verdade. Algo assustador. Disse que tinha um câncer na cabeça, no cérebro. Teratológico. Escatológico. Este cidadão ocupou um cargo importante no governo Bolsonaro. São asquerosos. Não têm nenhuma dignidade.

Isso deixa claro o porquê os bolsonaristas ficavam horas na porta dos quartéis, fazendo orações para pneus, fazendo sinais de WhatsApp para seres extra terrestres. Isso deixa deixa claro porque afirmam que o Lula morreu há anos e tem um sósia no Palácio. É assustador. Este é o grupo que assaltou o país. Que tinha um ministro da saúde, em plena pandemia, que não sabia o que era SUS. 

Os líderes da organização criminal já estão presos. Inclusive o chefe, Bolsonaro. Infelizmente não podemos simplesmente esquecer. Este bando criminoso tem que ser responsabilizado. O Brasil merece que esta organização criminosa seja punida. Eles são de muito baixo nível, um bando escatológico que saiu de um esgoto nefasto. Mas que governou o país e saqueou a coisa pública. Não podemos esquecer.

Que vergonha!!!!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

LEMBRAR NÃO DOERIA

 



Põe a agulha com cuidado em minha veia

que é para não ficar roxo, são litros e litros

de soro e medo.

Antes de ligar os aparelhos respiratórios

em minhas narinas, abre a janela, quero

o cheiro das buzinas e da lingüiça de bar.

Há luas lá fora?

Luas como nos finais de tarde de outono,

afinal, hoje é dia 13 de maio.

Se for para morrer definitivamente, quero

que seja pela manhã, não suportaria que na

hora em que todos retornam pra casa mais

tristes, cansados e sérios.

Escuta, telefona para minha mãe, seja sutil

com ela, fala que não quero nada, apenas

que venha me apertar as mãos, me beijar

os olhos.

Não se preocupa, meu pai com certeza

resolverá os problemas com a gerência do

hospital caso meu plano de saúde não cubra as despesas.

Sentirei a barba dele roçar meu rosto no

derradeiro beijo, e quando estiverem

 juntos, ele e meu filho, estarei presente.




Lembrar não doeria

se a lembrança não aprisionasse

o que quero esquecer.

O desespero de minha memória

é reinventar esquecimentos.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

OUVINDO O SILÊNCIO.

Sem rimas

Palavras tortas

Palavras novas

Frases mortas.


Não existe o sujeito

Vocábulos e efeitos

Verbos Transitividade suposta.


Sem objeto

Perdeu-se o predicado

Morre a Poesia

Vela-se a vida


Pintar o mundo

Com as cores gosto,

Fazer o que amo

É o que não posso.  


Seremos um...

As palavras cessam

Queremos dormir

O silêncio discursa

Te uso

Me usa

nós, ... 

Em nosso fim. 




domingo, 21 de dezembro de 2025

HUMANIDADE ORFÃ

 



Tudo é vivo à minha volta. Acordo, levanto tomo banho. A água corre, viva, vívida, revigorante. Escovo os dentes e outros elementos estão presentes, igualmente vivos, transformados, transmutados.

Faço café, me alegra, estimula. O pão e o queijo, ou manteiga me fazem lembrar sua origem e penso nos verdes campos, vivo e pulsante. Os animais, vegetais e minerais se doam em sacrifício aos humanos, cedem sua vida para nos manter vivos. Assim como os Grandes Seres, mais desenvolvidos que nós, que em vez de partirem para repousar, continuam aqui, velando por esta humanidade órfã, “teimosamente resistente à verdade”.

Caminho. O sol exala perfume de existência, o elixir da vida, a essência vital.

O mar, em ondas que vêm e vão, no eterno movimento dos barcos, relembra o Sopro Divino, o Eterno Movimento daquilo que sempre foi, é e será, a Causa sem Causa, o Absoluto, que irradia a Causa Primeira, o Um... quando a Luz se fez.

Tudo é vivo à minha volta. Tudo pulsa, vibra, sinaliza. Nossos corpos é preenchido de seres vivos, células, átomos, sangue, correntes de energia que fluem. E mesmo quando a vitalidade, o prazo de validade acabar, a vida estará presente, nos tornaremos alimento de mil micróbios. Microbiologia. “Nada se perde, nada se cria.”

sábado, 13 de dezembro de 2025

DEIXEI SOAR UM ACORDE

 


Deixei soar um acorde

Fim de um texto

Dobra de uma esquina

Poesia em construção.

Deixei soar um acorde

Início de uma fúria

Um trago na fumaça do tempo

Inquietação.

Deixei soar um acorde

Meio do caminho do silêncio

Ponto e vírgula, espaço da ousadia

Interrogação?

Deixei soar um acorde

Correnteza de rio entre as pernas

O sal, o doce, o beijo

Erupção.

Deixei soar um acorde

Nota e pausa entre línguas

Estrada de prazeres nunca visitados

A pele, o calor, o arrepio

Excitação.

No acorde soado,

Repouso no abraço.

A pele se acalma,

As mãos se acolhem.

Os cílios se tocam

E então, mais do que o acorde,

Soa a Música.

domingo, 7 de dezembro de 2025

DANÇANDO SEM USAR AS PERNAS

 







Foi ela quem me ensinou o que é ter um amigo, também foi ela quem disse, sem dizer, como é perder amigo. Nunca mais quis depois dela perder nada, nem a Flora, mas a Flora foi sem que eu pudesse impedir. A pior coisa de todas é vê-la reduzida à um número, e tinha sido. Eu nem sei o que pensei na hora, mas chorei mais do que antes já tinha chorado um dia. E nunca mais quis saber de números, nem perder amigo. As lembranças mais fortes são nossos encontros, nossa alegria, e ela dizendo que se eu quisesse logo o livro de volta ela lia mais rápido e devolvia. Não ligo pra prazo não, só pra acesso. Ela nunca pediu nada, mas a gente fazia. Falavam que ela não era lá muito flor que se cheirasse, e eu sabia que não era, e era essa a melhor parte.

Ela tocava o terror na escola inteira, baixava o capeteiro, abraçava o capeta e ensinava-o como dançar sem pés. E também me ensinava que o mais importante é conversar. Sei lá quantos anos ela tinha, quinze? Sei lá quantos anos eu tinha, ela era mais velha que eu. E também eu era difícil e tocava o capeteiro e continuo sendo pirracento e chato, mas ainda gosto de conversar e de ler, como ela.

O aniversário ainda lembro a data. Ela era, e é tão forte que achava o máximo quando tinha que tomar sangue uma vez por trimestre porque aí ficava ativíssima. Ainda assim, era amarela, e tinha aquele cheiro que eu aprendi a reconhecer depois como cheiro de prazo curto. Tenho medo de sentir aquele cheiro em mim, e em quem gosto, mas depois dela já senti outras duas vezes e não disse. Será cheiro de saudades dela? Também não aprendi a escrever como ela, e não vou nunca. Mas preciso volta e meia lembrar dela e sentir falta, porque aí entendo que sirvo pra contar história, e que isso é útil para moças amarelas que gostam de conversar e têm prazo curto. 

Que as narrativas aumentem a vida dela, e os anos já contados!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ALICE

 


Não reconheço mais o meu coração

É como se ele se recusasse a bater

Você me me deixou cansado

Me escondo em palavras de te querer bem

É como o tempo, é como está ao relento

Sinto saudades e não sei de que ou porque


Tudo acabou

Quando não vi pedaços de mim em você

Seus risos, a sua afobação

Como quem sabe o que virá 

Não mudei nada, não mudamos nada

Olho no espelho e é você quem me vê

Abre as feridas e fica calada

Ver pelo meus olhos que estou bem

É como o tempo, é como está ao relento

Sente saudades, e não sabe de que ou porque


Disfarçamos a tristeza e fingimos sorrisos pra fingir viver.