quarta-feira, 24 de julho de 2024

A M I G O

 



Amigo é casa,

É calçada,

É rua,

É estrada.


Amigo é dividir,

A Cerveja,

A Comida,

A Mesa,

A Alegria,

A Tristeza.


Amigo é saber,

O destino

O que precisa 

O que avisa

O que dá cor

O que dá sentido.



O amigo?

Amigo é vida

É o que fica da lida!

sábado, 20 de julho de 2024

Momento de Inverno

 


Acordei na manhã escura

O dia não amanheceu...

Vou andar hoje na manhã dura,

Com sujo de negro no céu? Não.(Será o pó da Siderúrgica)?

Vou tentar deitar e dormir

Fingir que é noite sem olhar

Vou paralisar as horas e não sair,

Até este dia clarear.

Será que o Sol se mudou?

Trocou o lugar com a lua?

Olhei da janela a manhã escura,

Está um dia tão triste cinzento,

Está um dia de cinza pura.

Afinal é de Inverno este momento...


Inverno iniciado naquele 12 de maio

Num silencio doído, cortante no quarto

O dia do inverso do parto.





segunda-feira, 15 de julho de 2024

Roteiro para acompanhar a procissão de soluços


Para Paulo: De Mineiro nato pra Mineiro por opção.




Em Minas um boi cacareja a sua desconfiança de canário

Em Minas um pito estremece na boca despetalada do velho

(que nem supõe mais como ou quando morrer)

Em Minas o sol se melindra,se escandaliza com a fecundidade esverdeada das coisas

O trem apara a preguiça das serras

(enigmático como tudo se torna trem em Minas)

Um compêndio de curas nas rezas calejadas das mulheres

As tripas das paredes escapando da erosão dos rebocos

(Minas é um povo caducando nas horas desabitadas)

Já é impossível pescar esta Minas em Minas

Libertar esta Minas de Minas

Ou desonrar o ventre que traduziu em desassossego essa rigidez mineral

Um galo esporeia, com sua covardia amolada, os chifres da morte

Enquanto uma rede nina uma selvageria de substratos:

Há um torrão de Minas engastalhado na minha garganta.