terça-feira, 25 de março de 2025
A Simbologia da Tranformação
sábado, 22 de março de 2025
Se coçar do Atlas ao Coccix.
A direita brasileira nunca engoliu a Constituição de 88 e agora estão fazendo de tudo para enterra-la.
São quase 40 deturpações desde sua promulgação e tem um monte de regulamentação pra ser feita até hoje.
Se esses elementos fizerem 2/3 de deputados eles vão transformar a carta magna numa colcha de retalhos onde os tecidos extraídos irão para o lixo e novos poliesteres vão fazer a gente se coçar do atlas ao coccix.
Por incrível que pareça agora dependemos da força do STF para frear a maré de conservadorismo e injustiças que poderão vir do esgoto congressista.
Se tivesse eleição para o STF a coisa iria ficar 100% pior.
Podem ter certeza que eles vão fazer de tudo para mudar o STF, e nossa luta irá se concentrar em defender a mais alta corte do país.
Quem poderia imaginar que isso aconteceria? Nem a cigana!
sexta-feira, 21 de março de 2025
Quando Canto, Quando Conto
então, fiquei lá parado
tentando esvaziar a minha mente
tornei-me no tribunal jurado
parte de um júri consciente
alguém dotado, porém esquecido
que sinaliza se estar errado
que têm um pouco de tudo no coração retido
e que falta de tudo um pouco para ser julgado
algo difícil de você entender
bem complexo de explicar
mas muito simples de ser
um entardecer em algum lugar
o seguro e o desespero
principalmente no que é sensível
será válido continuar?
mesmo sendo pouco crível?
não obstante, nada distante
estou cheio de " eu " aqui
quem sabe se juntar tantos " deles "
faça uma parte do " eu em mim "
pois é, é como sempre
no mesmo ponto, na mesma margem
intenso no impulso
intensivo na viagem
eu nem me mexo, só penso
eu descrevo, nem pisco
para alguns, um rabisco no retrocesso
para outros, um processo no risco
no absoluto quieto
só o que move é a sombra
estranha bipolaridade
quando não pede, me manda
a lua se foi contigo
e o sol que chegou nem te trouxe
lembro que na madrugada escondido
como um animal solitário que fosse
então eu parado, vou ficar
pensando em tudo quanto
quanto vale o que não tenho
cada sonho, e eu te conto.
terça-feira, 18 de março de 2025
MUITO MAIS QUE UM PRÊMIO
O atual momento é de uma gravidade imensa. Perderam qualquer limite. Assistimos a cenas grotescas, cenas toscas de recrudescimento da violência, como o casamento macabro de Trump e Musk. A falta absoluta de qualquer critério, até estético, choca e preocupa. Não se pode imaginar aonde chegarão esses métodos escabrosos de tratar as pessoas e a coisa pública. A vida passou a ter outro significado. A maneira de compreender a política foi banalizada. O mundo emburreceu.
Até por isso, o significado dessa vitória do Filme "Ainda Estamos Aqui" cresce. Além da mensagem do filme, é necessário lembrar que, em todas as homenagens, nas mais de 40 comemorações de prêmios diversos, a crítica à tortura, ao covarde desaparecimento e à ditadura estava, de alguma maneira, presente. E chegou a milhões de pessoas mundo afora.
No Brasil, há muito pouco tempo, nós tivemos que conviver com fascistas que cultuam a tortura e que têm o torturador Brilhante Ustra como ídolo, o mundo inteiro – incluindo o povo brasileiro – parou para acompanhar a dor de uma família vítima da violência da ditadura. E por isso mesmo é importante gritar, com uma voz forte, SEM ANISTIA! para que nunca mais volte o horror da ditadura que os fascistas de 8 de janeiro tentaram restabelecer: ainda estamos aqui!
Lembro de Mario Quintana, no poema Emergência:
“Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo - para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado.”
A Poesia existe, pois como toda Arte, só viver não basta!
quarta-feira, 12 de março de 2025
Além das Cercas, Além do Quintal.
Falta coragem para ir à janela
e libertar os sonhos
que se entulham nos valores
que deprimem nossa sala.
Falta coragem pra se amar
como se ama quem nos ama a sós.
Aquele amor libertinado,
de prazer de antes,
de prazer de meio e eternizado após.
Falta coragem para o sim
quando se emprega o não,
impregnado de amarras que deprimem
a liberdade que alimenta o coração.
Falta coragem para o não
quando se acata o sim à revelia da vontade,
em cumprimento ao estabelecido
que deturpa a nossa verdade.
Falta coragem pra mudar de rumo
ainda que preciso fosse a marcha ré,
para que a vida seja, tão somente,
a plenitude que ela já é.
Falta coragem pra beijar na boca,
pro abraço e pra revolução,
mesmo que revolucionariamente
a gente só liberte a nossa emoção.
Falta coragem
pra quebrar as cercas deste mal
e ver o mundo além dos muros,
além dos horizontes do nosso quintal.
domingo, 2 de março de 2025
Não está fácil
COMPANHEIRO
Não está fácil!
Nos conhecemos em 79/80, não tenho certeza da data mas foi num mês de março, nosso partido em formação, dificuldades por todos os lados, ataques generalizados. Estávamos lá, eu de militante, o que continuo até hoje!
Nesses 45 anos, mudamos muito. Não vou falar de mim, mas de você. De líder sindical, passou a um dos principais líderes mundiais, o maior do país, sem dúvida. Passou por diversas eleições, foi Constituinte, presidente da República duas vezes, tirou o país do mapa da fome, incluiu pobres, negros, mulheres e todas as minorias na pauta e no orçamento brasileiro.
Sim, também cedeu ao capital, ao agronegócio, aos bancos. Era de se esperar, nunca tivemos maioria, nunca fomos um governo puro-sangue, nunca fizemos uma revolução. Desde o primeiro mandato, foi preciso construir frentes, fazer concessões. Mas havia um compromisso e poucos largaram as mãos.
Elegemos Dilma, e parece que foi a gota d’água. As forças reacionárias não suportaram e a trama cresceu e veio a se consolidar no segundo mandato da presidenta, que nem pode dar os primeiros passos. Veio a mentira da pedalada e a derrubou. Golpe!!!
Você, que já tinha enfrentado uma barra pra lá de pesada, passou a sofrer a maior e mais cruel perseguição político-judicial-midiática já vista (nunca antes na História do nosso país); perdeu mulher, neto, irmão e a liberdade. Foi achincalhado, xingado, tentaram humilhá-lo, isolá-lo.
Acompanhei e confesso, não sei se teria aguentado. Não sei se não teria jogado tudo pro alto, mandado tudo à merda. Mas você, já naquela altura com os cabelos brancos, você, em nenhum momento, abaixou a cabeça, em nenhum momento jogou baixo. Alguns largaram a sua mão, você continuou andando. E ainda encontrou uma brecha pra se apaixonar e refazer a vida.
8 de novembro de 2019, jamais vou esquecer o momento da sua libertação, uma explosão de força, alegria e ânimo, em meio ao pântano do bolsonarismo que inundava o país.
Voltou cheio de gás, mais uma vez disposto a juntar todas as pontas e soldar diferentes e inúmeras partes em um escudo-mosaico capaz de brecar o fascismo, que corroia e corrompia boa parte do país.
E você foi capaz de costurar essa aliança ampla o suficiente para derrotar o candidato fascista, com os seus bônus (a derrota do capetão) e ônus (as concessões). Só que a serpente do fascismo,(ou Cadela que sempre está no Cio) continuou lá - fez maioria em um dos Congressos mais hostis da História e se infiltrou em várias frentes, incluindo órgãos de governo. Mais alianças para rebater os nefastos.
E você na batalha, articulando, negociando, equilibrando, jogando um xadrez muitas vezes improvável, escapando das cascas de banana, escorregando em umas poucas, travando quedas-de-braço (embora, muitas vezes, sorridentes – as quedas), mergulhando, nadando e escapando dos “caldos”, incluindo um presidente de Banco Central descaradamente bolsonarista.
Hoje, meu companheiro, fico muito indignado quando reclamam dessas mesmas alianças (que jamais foram secretas), quando fingem desconhecer os avanços conquistados nesses dois anos do seu terceiro mandato – ao crescimento econômico, ao aumento real do salário-mínimo, ao fim da fome endêmica, à queda histórica no desemprego. Será que esquecem como estava o país em 2022, será que esquecem que não fizemos uma revolução?
Fico muito Puto (desculpe Lula) quando insinuam que você pode estar cansado por conta da idade; nenhum dos que apontam os dedos têm um décimo do seu fôlego; queria ver se aguentavam a artilharia que você enfrenta.
Sim, mudamos todos ao longo desses 45 anos – você, eu, o país e, principalmente, a senhora conjuntura; e faria bem que olhassem com cuidado os cenários (detesto a palavra, mas não achei outra) antes de lançarem pérolas aos porcos, antes de alimentarem a sempre faminta extrema-direita.
Desculpe a longa carta, presidente, mas eu precisava desabafar.
Mudamos, sim, mas continuamos aqui.