terça-feira, 25 de março de 2025

A Simbologia da Tranformação

 




(No Outono a gente fica mais sentimental, 
As folhas caem com o vento,
É meio do Ano!
É Outono!)


Lindo dia...
As folhas do outono que lentamente caem, se transformam
Uma simbologia da mutação
Fases, situações, e data de validade
Como a ordem minuciosa de tudo pode ser tão perfeita?
A simetria, o tempo, a harmonia
Nada permanece, tudo se transforma?
Dizem que mais cedo ou mais tarde tudo se transforma no seu contrário
Pra mim, isso faça parte do equilíbrio que todos nós precisamos
Fascinante esse mundo obscuro dentro de nós
Assustador e angustiante as vezes
A busca constante, a peneira, a adrenalina
Aprender com a vida, com a evolução, com o andar pra frente
É clarear aquilo que nos é estranho e desconhecido
Em muitas situações é preciso ir ao fundo nessa escuridão
E achar com o instinto a luz ao fim do túnel
O corpo e a mente humana são programadas para se andar pra frente
Senão teríamos pés virados para trás e olhos nas costas
Imensa a nossa capacidade e instinto em evoluir, mesmo que muitos errem em escolhas
A intenção anatômica e psíquica é para a evolução, adaptação, mutação
Doce vida amarga
Repleta de perdas e construções infinitas
Peculiaridades, diferenças com aprendizados diversos
Acordar para o sentido de SER e não TER?
Acredito que em breve, a limpeza começará.
Talvez seja resposta para que o "os bons morrem jovens"
Ou talvez não! 
Desapego a presença e sentimentos apegados ao infinito, a linguagem do coração, da alma
As fases da vida são nítidas, e requer aprendizado individual e não dependência ao apego
Onde há amor, há liberdade. Mas vai entender o nosso comportamento possessivo por inúmeros momentos
Azeda insegurança que somente cessa quando descobrimos que todas as repostas de nossas indignações, aflições e revoltas , estão dentro de nós e não nos erros alheios e no mal-estar da humanidade.

sábado, 22 de março de 2025

Se coçar do Atlas ao Coccix.

 


A direita brasileira nunca engoliu a Constituição de 88 e agora estão fazendo de tudo para enterra-la.

São quase 40 deturpações desde sua promulgação e tem um monte de regulamentação pra ser feita até hoje.

Se esses elementos fizerem 2/3 de deputados eles vão transformar a carta magna numa colcha de retalhos onde os tecidos extraídos irão para o lixo e novos poliesteres vão fazer a gente se coçar do atlas ao coccix. 

Por incrível que pareça agora dependemos da força do STF para frear a maré de conservadorismo e injustiças que poderão vir do esgoto congressista. 

Se tivesse eleição para o STF a coisa iria ficar 100% pior. 

Podem ter certeza que eles vão fazer de tudo para mudar o STF, e nossa luta irá se concentrar em defender a mais alta corte do país. 

Quem poderia imaginar que isso aconteceria? Nem a cigana!

sexta-feira, 21 de março de 2025

Quando Canto, Quando Conto

 


então, fiquei lá parado

tentando esvaziar a minha mente

tornei-me no tribunal jurado

parte de um júri consciente


alguém dotado, porém esquecido

que sinaliza se estar errado

que têm um pouco de tudo no coração retido

e que falta de tudo um pouco para ser julgado


algo difícil de você entender

bem complexo de explicar

mas muito simples de ser

um entardecer em algum lugar


o seguro e o desespero

principalmente no que é sensível

será válido continuar?

mesmo sendo pouco crível?


não obstante, nada distante

estou cheio de " eu " aqui

quem sabe se juntar tantos " deles "

faça uma parte do " eu em mim "


pois é, é como sempre

no mesmo ponto, na mesma margem

intenso no impulso

intensivo na viagem


eu nem me mexo, só penso

eu descrevo, nem pisco

para alguns, um rabisco no retrocesso

para outros, um processo no risco


no absoluto quieto

só o que move é a sombra

estranha bipolaridade

quando não pede, me manda


a lua se foi contigo

e o sol que chegou nem te trouxe

lembro que na madrugada escondido

como um animal solitário que fosse


então eu parado, vou ficar

pensando em tudo quanto

quanto vale o que não tenho

cada sonho, e eu te conto.

terça-feira, 18 de março de 2025

MUITO MAIS QUE UM PRÊMIO

 






O atual momento é de uma gravidade imensa. Perderam qualquer limite.  Assistimos a cenas grotescas, cenas toscas de recrudescimento da violência, como o casamento macabro de Trump e Musk. A falta absoluta de qualquer critério, até estético, choca e preocupa. Não se pode imaginar aonde chegarão esses métodos escabrosos de tratar as pessoas e a coisa pública. A vida passou a ter outro significado. A maneira de compreender a política foi banalizada. O mundo emburreceu.

Até por isso, o significado dessa vitória do Filme "Ainda Estamos Aqui" cresce. Além da mensagem do filme, é necessário lembrar que, em todas as homenagens, nas mais de 40 comemorações de prêmios diversos, a crítica à tortura, ao covarde desaparecimento e à ditadura estava, de alguma maneira, presente. E chegou a milhões de pessoas mundo afora. 

No Brasil, há muito pouco tempo, nós tivemos que conviver com fascistas que cultuam a tortura e que têm o torturador Brilhante Ustra como ídolo, o mundo inteiro – incluindo o povo brasileiro – parou para acompanhar a dor de uma família vítima da violência da ditadura. E por isso mesmo é importante gritar, com uma voz forte, SEM ANISTIA! para que nunca mais volte o horror da ditadura que os fascistas de 8 de janeiro tentaram restabelecer: ainda estamos aqui!

Lembro de Mario Quintana, no poema Emergência:

“Quem faz um poema abre uma janela.

Respira, tu que estás numa cela abafada, esse ar que entra por ela. Por isso é que os poemas têm ritmo - para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado.”


A Poesia existe, pois como toda Arte, só viver não basta!

quarta-feira, 12 de março de 2025

Além das Cercas, Além do Quintal.

 





Falta coragem para ir à janela

e libertar os sonhos

que se entulham nos valores

que deprimem nossa sala.


Falta coragem pra se amar

como se ama quem nos ama a sós.

Aquele amor libertinado,

de prazer de antes,

de prazer de meio e eternizado após.


Falta coragem para o sim

quando se emprega o não,

impregnado de amarras que deprimem

a liberdade que alimenta o coração.


Falta coragem para o não

quando se acata o sim à revelia da vontade,

em cumprimento ao estabelecido

que deturpa a nossa verdade.


Falta coragem pra mudar de rumo

ainda que preciso fosse a marcha ré,

para que a vida seja, tão somente,

a plenitude que ela já é.


Falta coragem pra beijar na boca,

pro abraço e pra revolução,

mesmo que revolucionariamente

a gente só liberte a nossa emoção.


Falta coragem

pra quebrar as cercas deste mal

e ver o mundo além dos muros,

além dos horizontes do nosso quintal.

domingo, 2 de março de 2025

C O N SE L H O

 





Res       PIRE

Trans   PIRE

Não      PIRE

Não está fácil

 



COMPANHEIRO

Não está fácil!

Nos conhecemos em 79/80, não tenho certeza da data mas foi num mês de março, nosso partido em formação, dificuldades por todos os lados, ataques generalizados. Estávamos lá, eu de militante, o que continuo até hoje!

Nesses 45 anos, mudamos muito. Não vou falar de mim, mas de você. De líder sindical, passou a um dos principais líderes mundiais, o maior do país, sem dúvida. Passou por diversas eleições, foi Constituinte, presidente da República duas vezes, tirou o país do mapa da fome, incluiu pobres, negros, mulheres e todas as minorias na pauta e no orçamento brasileiro. 

Sim, também cedeu ao capital, ao agronegócio, aos bancos. Era de se esperar, nunca tivemos maioria, nunca fomos um governo puro-sangue, nunca fizemos uma revolução. Desde o primeiro mandato, foi preciso construir frentes, fazer concessões. Mas havia um compromisso e poucos largaram as mãos.

Elegemos Dilma, e parece que foi a gota d’água. As forças reacionárias não suportaram e a trama cresceu e veio a se consolidar no segundo mandato da presidenta, que nem pode dar os primeiros passos. Veio a mentira da pedalada e a derrubou. Golpe!!!

Você, que já tinha enfrentado uma barra pra lá de pesada, passou a sofrer a maior e mais cruel perseguição político-judicial-midiática já vista (nunca antes na História do nosso país); perdeu mulher, neto, irmão e a liberdade. Foi achincalhado, xingado, tentaram humilhá-lo, isolá-lo. 

Acompanhei e confesso, não sei se teria aguentado. Não sei se não teria jogado tudo pro alto, mandado tudo à merda. Mas você, já naquela altura com os cabelos brancos, você, em nenhum momento, abaixou a cabeça, em nenhum momento jogou baixo. Alguns largaram a sua mão, você continuou andando.  E ainda encontrou uma brecha pra se apaixonar e refazer a vida.

8 de novembro de 2019, jamais vou esquecer o momento da sua libertação, uma explosão de força, alegria e ânimo, em meio ao pântano do bolsonarismo que inundava o país.

Voltou cheio de gás, mais uma vez disposto a juntar todas as pontas e soldar diferentes e inúmeras partes em um escudo-mosaico capaz de brecar o fascismo, que corroia e corrompia boa parte do país. 

E você foi capaz de costurar essa aliança ampla o suficiente para derrotar o candidato fascista, com os seus bônus (a derrota do capetão) e ônus (as concessões). Só que a serpente do fascismo,(ou Cadela que sempre está no Cio) continuou lá - fez maioria em um dos Congressos mais hostis da História e se infiltrou em várias frentes, incluindo órgãos de governo. Mais alianças para rebater os nefastos.

E você na batalha, articulando, negociando, equilibrando, jogando um xadrez muitas vezes improvável, escapando das cascas de banana, escorregando em umas poucas, travando quedas-de-braço (embora, muitas vezes, sorridentes – as quedas), mergulhando, nadando e escapando dos “caldos”, incluindo um presidente de Banco Central descaradamente bolsonarista.

Hoje, meu companheiro, fico muito indignado quando reclamam dessas mesmas alianças (que jamais foram secretas), quando fingem desconhecer os avanços conquistados nesses dois anos do seu terceiro mandato – ao crescimento econômico, ao aumento real do salário-mínimo, ao fim da fome endêmica, à queda histórica no desemprego.  Será que esquecem como estava o país em 2022, será que esquecem que não fizemos uma revolução?

Fico muito Puto (desculpe Lula) quando insinuam que você pode estar cansado por conta da idade; nenhum dos que apontam os dedos têm um décimo do seu fôlego; queria ver se aguentavam a artilharia que você enfrenta. 

Sim, mudamos todos ao longo desses 45 anos – você, eu, o país e, principalmente, a senhora conjuntura; e faria bem que olhassem com cuidado os cenários (detesto a palavra, mas não achei outra) antes de lançarem pérolas aos porcos, antes de alimentarem a sempre faminta extrema-direita. 

Desculpe a longa carta, presidente, mas eu precisava desabafar.


Mudamos, sim, mas continuamos aqui.