Alguns olhares apenas observam. Existem os que recordam. Não revelam um segredo escondido, mas despertam o que pode está adormecido em nós. São olhares que não procuram respostas. Apenas permanecem, não para decifrar o mundo, mas para permitir que ele lentamente se revele.
Uma forma de ver que não mostra as coisas de fora para dentro; antes, desperta o que sempre esteve à espera. Quando somos encontrados por esse olhar, ou o dirigimos a alguém, acontece algo imperceptível: deixamos de nos sentir observados ou observadores e passamos a nos reconhecer. Nesse momento, uma parte esquecida delicadamente, nos muda sem deixar de sermos nós mesmo, como um rio que permanece rio, e suas águas jamais sejam as mesmas. Amar é reconhecer, no outro, um olhar que nos faltava. Criar é acrescentar uma nova perspectiva ao próprio olhar. E viver seja aproximar-se, lentamente, daquilo que ainda não conseguimos nos tornar.
Enquanto esse instante não chega, seguimos atentos aos olhares que nos encontram e encontramos pelo caminho. Mas, em algum lugar entre quem fomos e aquilo que ainda esperamos ser tem a pergunta: O que é viver? Viver é apenas aprender, devagarinho, a escutar o que o olhares dizem, e tentam nos dizer!
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