
Palavras Líquidas, Lírica, e Etílicas.
Porque sou negro cotista,
sou filho da diarista,
daquela empregada,
que a carteira assinada
queriam negar.
Irei a posse,
porque sou homoafetivo,
filho do índio nativo,
dono desse lugar,
cujas terras demarcadas
queriam tomar.
Irei a posse,
Porque sou mulher educada,
não nasci de fraquejada,
luto por igualdade,
e isso me engrandece.
mas respeito e liberdade
não é coisa pra covarde,
isso você desconhece.
Irei a posse,
porque sou trabalhador,
sem reforma trabalhista
sem o sindicato,
pagaremos o pato
do modelo escravagista.
Irei a posse,
Porque sou retirante,
filho de imigrante,
imitante de Jesus,
que por um instante,
igual a mim foi imigrante,
pra cumprir com sua cruz.
Irei a posse,
Porque sou deficiente,
sou humano, sou valente,
tenho vergonha na cara.
minha cadeira de rodas
segue outra direção:
A do respeito, inclusão,
direção bem contrária,
da farsa anunciada.
Irei a posse,
Porque sou a poesia,
sou poeta, sou folia,
sou a cantiga de rodas,
sou quilombo, sou favela,
sou a pipa da janela,
voando a favor do vento,
caindo na plantação
de uma reforma agrária,
sou a raça libertária,
sou alegria perene,
por isso não me condene!
A Felicidade não será temporária.
Façamos da vida bordados de ternura,
Caminhos de reciprocidade.
Onde agregar seja uma tarefa espontânea,
O elogiar seja sincero,
O respeito seja mútuo,
O sucesso do outro aplaudido de coração.
Nós nos reconhecemos humanos, puros quando a alegria do outro se faz nossa também.
Vamos escrevendo a Obra,
Não somos massa de Manobra,
Vitória sem Armas,
Uma linda Revolução,
Sem derramar sangue na Terra,
Venceremos outras Guerras,
Somos germes,
Que faz a Palma,
Nossos Sonhos,
Livres na Alma!
Somos Muitos,
Somos Milhares,
Nos espalharemos,
Pelos Ares,
Pelos Rios,
Pelos Mares,
Seremos o Sal,
Da Terra,
Seremos o Sol,
Apagando a Escuridão,
Vamos semeando o Sonho,
Que vai ter de ser Real
O sangue que nosso coração bombeia
Correrão em muitas veias
Incendeia
Como a força das aguas de um Rio
Como chama
Sem pavio
Como um Cio!