Descobri não sou quem eu achava que fosse, nem sou quem achavam que eu era. Sei que eu não tinha esse sorriso parado, e morto, que desmancha só de olhar. Não eram minhas essas olheiras tão fundas nem esses olhos tão rasos.
Escrevo para compartilhar alegria, não para encontrá-la.
O equilíbrio que eu tinha cansou-se, escolheu um dos lados da vida, e descobriu que era o lado errado. Não pude voltar. Tudo em mim é caos e está por um fio. Tudo em mim é esperança que morre todo dia.
Acho que tive pressa e acabei vestindo a alma do avesso.
Entendo que tudo se transforma e se recicla, sei e não quero, e não querer me faz temer que o dia chegue... Temo que ele nasça como um sol camuflado de lua por trás das nuvens pesadas de um céu azul petróleo. Temo que um dia seja o dia em que minhas mãos não serão necessárias para tapar os meus bocejos, nem para acenar pro meu passado. Temo morrer sem ser notado, como se fosse um dia qualquer.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
B R I N C A D E I R A S
Há mistura de cores nesta poça de maré onde a ela gosta de pisarr. Dispensa guelras, escamas, cilindro e escafandro. A correnteza não a afeta.
Nadando cachorrinho ou com bóias de golfinho.
Essa poça que ilumina o seu rosto muda de cor de acordo com o que está sendo refletido e pode ter as cores mais coloridas, dignas de sonhos infantis. Mas também pode ser profunda e fria e dura e escura como o céu antes da chuva. Lembra também todos os medos que inventei.
Intransponível. Céu, não analise essas minhas palavras,... não escrevo artigos científicos. E o que escrevo só pode ser compreendido com a imaginação.
Nessas minhas brincadeiras de escrever, tomo cuidado. Só toco com o coração, pois as mãos também ferem e sufocam. E todo o carinho que eu possa lhe oferecer ainda será pouco.
Nadando cachorrinho ou com bóias de golfinho.
Essa poça que ilumina o seu rosto muda de cor de acordo com o que está sendo refletido e pode ter as cores mais coloridas, dignas de sonhos infantis. Mas também pode ser profunda e fria e dura e escura como o céu antes da chuva. Lembra também todos os medos que inventei.
Intransponível. Céu, não analise essas minhas palavras,... não escrevo artigos científicos. E o que escrevo só pode ser compreendido com a imaginação.
Nessas minhas brincadeiras de escrever, tomo cuidado. Só toco com o coração, pois as mãos também ferem e sufocam. E todo o carinho que eu possa lhe oferecer ainda será pouco.
domingo, 6 de maio de 2012
Anexo Transcendental
"Pior do que quem fala o que pensa, é quem escreve..."
Tenho amigos! Não sei se são poucos ou muitos, nunca tentei contá-los. Mas os que tenho são o suficiente para me amparar.Confesso que Eles são gente estranha como eu.São também pessoas de cabeças e corações abertos.Possuem a capacidade de aceitar as diferenças e conviver.
Todos os meus amigos, são meus anexos - sim, uma-parte-à-parte-de-mim- Pura vaidade?!Não, eles são diferentes. Assim, sem bajulação.
Mas somos tão inconstante...como é que permanecemos ligados?Mesmo quando estamos errados, mesmo quando insistimos em seguir sozinhos?!Que pessoas são essas que perdoam sem recriminar futuramente, sem ficar de bico ou fazendo joguinhos sentimentais?Quem somos que nos protegemos e nos curamos tantas vezes de noss mesmos?Que largamos qualquer coisa pra irmos ao encontro, mesmo quando têm se transcorrido dias depois do último encontro?!Quero ensinar meus descendentes a serem como nos!Que nunca culpamos, nunca apontamos defeitos e sempre recebemos com um abraço quente, livre de qualquer maldade.
sábado, 28 de abril de 2012
P E S A D E L O
Vi tudo fugir de min em um vídeo acelerado.
Casa, amigos, diversão. Até as palavras me fugiam dos lábios terminando em um
grito abafado...!
Ninguém ouviu.
O caminho, o trilho, e o resto da vida pela frente.
As lembranças correndo e o corpo parado.
Lágrimas congeladas na face.
Anteciparam meu fim do mundo para 2012.
Minha mente adquiriu forma de queijo, os pensamentos derretem e escorrem
antes que eu tenha tempo de escrevê-los.
Fico cansado, colocando baldes embaixo de todas as goteiras que encontro.
Haja balde para tanto pensamento derretido!
Tantas Palavras Líquidas...,
Tantas Palavras Etílicas...,
Tantas Palavras Líricas!
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Feliz Idade!
Apõs os procedimentos, os remendos em meu coração, o m’edico me disse que estou novo, e posso viver tranquilamente mais 50 anos!
Se fosse um déspota com poderes absolutos mandaria logopara a guilhotina o cara que bolou a expressão feliz idade. E também os que dizem que a idade traz sabedoria e que os velhos devem ser ouvidos e respeitados. Sem essa do verso do samba “respeitem ao menos meus cabelos brancos”.
Muito pelo contrário: um cara que é idiota aos 20 anos, aos 60 será três vezes mais idiota.
E se for brilhante aos 20 anos, aos poucos irá ficando, com os neurônios caindo como folhas secas por onde anda, uma caricatura do que foi, meio cego dos ouvidos e surdo dos olhos. E a memória? Conversa de velho: você lembra do... (estala os dedos ), que costumava freqüentar aquele bar ... (estala os dedos), onde a gente comia e bebia uma... (estala os dedos).
Uma bailarina de flamengo estala menos suas castanholas que dois velhos conversando num banco de praça!
E, dentro da carcaça, dói tudo, um órgão de cada vez ou tudo junto.
Quando às vezes alguém me pergunta: Andou bebendo de novo?
Respondo: “Não. Vivendo ainda”.
Apõs os procedimentos, os remendos em meu coração, o m’edico me disse que estou novo, e posso viver tranquilamente mais 50 anos!
Se fosse um déspota com poderes absolutos mandaria logopara a guilhotina o cara que bolou a expressão feliz idade. E também os que dizem que a idade traz sabedoria e que os velhos devem ser ouvidos e respeitados. Sem essa do verso do samba “respeitem ao menos meus cabelos brancos”.
Muito pelo contrário: um cara que é idiota aos 20 anos, aos 60 será três vezes mais idiota.
E se for brilhante aos 20 anos, aos poucos irá ficando, com os neurônios caindo como folhas secas por onde anda, uma caricatura do que foi, meio cego dos ouvidos e surdo dos olhos. E a memória? Conversa de velho: você lembra do... (estala os dedos ), que costumava freqüentar aquele bar ... (estala os dedos), onde a gente comia e bebia uma... (estala os dedos).
Uma bailarina de flamengo estala menos suas castanholas que dois velhos conversando num banco de praça!
E, dentro da carcaça, dói tudo, um órgão de cada vez ou tudo junto.
Quando às vezes alguém me pergunta: Andou bebendo de novo?
Respondo: “Não. Vivendo ainda”.
terça-feira, 17 de abril de 2012
O que polui é a sacola plástica?
Qual é a embalagem do açúcar que compramos? Saco plástico.Onde vem o sal que compramos?Em saco plástico.E a farinha de trigo,de mandioca,o fubá,o feijão,o Arroz nosso de cada dia?Todos embalados em sacos plásticos.Onde é que colocamos as frutas e os legumes no supermercado?Em sacos plásticos.Onde vem os remédios que compramos nas farmácias?Em sacolas plásticas.E, por acaso, os sacos plásticos que fazem parte do nosso dia a dia não poluem o ambiente? Não destroem o planeta?O único saco plástico que polui é a sacola plástica que recebemos dos supermercados? Aquelas mesmo que reciclamos colocando o lixo de casa. Aquelas que, se formos civilizados, usamos para apanhar e descartar as cacas do cachorro. Aquelas mesmo que as redes de supermercado irão parar de fornecer na hora das compras.E o que eles dizem?Que elas são as responsáveis pela poluição do nosso planeta. Por que só elas? Só o plástico com que elas são feitas poluem rios, destroem as matas, tornam o mundo menos habitável?
Mas porque só elas? Quem disse?As grandes redes de supermercado. E quem ganha com isto? O planeta? Me engana que eu gosto.Além dos fabricantes de rolos de sacos de lixo, que também são feitos de plástico,quem mais ganha com a proibição das sacolas de plástico são as grandes redes de supermercado que, a partir de agora,em algumas cidades, não terão mais despesa alguma com o consumidor.
Depois que pagarmos—e muito bem—os produtos que compramos o problema de levar os produtos para casa passa a ser só nosso.
Como vamos levar sos produtos pra casa?Problema nosso. Até porque não são eles que vão entrar,com chuva, nos ônibus cheios, nos barcos, levando uma caixa de papelão. E ainda querem nos convencer , de que estão ajudando na reconstrução do planeta. Não é bonito? Não. Eu acho cínico!E a parte deles?!
Bom,eles nos vendem sacolas retornáveis! E sabe o que acontece dentro delas?Se nos não a limpármos,lavando com água e sabão,bactérias e fungos crescem dentro delas.Sabia também que o correto seria usar uma sacola para carnes, outra para vegetais e outra para produtos de limpeza? Sabia que elas não podem ser feitas de produto muito resistente?Porque as bactérias se entranham nos tecidos mais fortes com mais facilidade.
E então? Você ainda acha mesmo que está ajudando a salvar o planeta?!
Mas porque só elas? Quem disse?As grandes redes de supermercado. E quem ganha com isto? O planeta? Me engana que eu gosto.Além dos fabricantes de rolos de sacos de lixo, que também são feitos de plástico,quem mais ganha com a proibição das sacolas de plástico são as grandes redes de supermercado que, a partir de agora,em algumas cidades, não terão mais despesa alguma com o consumidor.
Depois que pagarmos—e muito bem—os produtos que compramos o problema de levar os produtos para casa passa a ser só nosso.
Como vamos levar sos produtos pra casa?Problema nosso. Até porque não são eles que vão entrar,com chuva, nos ônibus cheios, nos barcos, levando uma caixa de papelão. E ainda querem nos convencer , de que estão ajudando na reconstrução do planeta. Não é bonito? Não. Eu acho cínico!E a parte deles?!
Bom,eles nos vendem sacolas retornáveis! E sabe o que acontece dentro delas?Se nos não a limpármos,lavando com água e sabão,bactérias e fungos crescem dentro delas.Sabia também que o correto seria usar uma sacola para carnes, outra para vegetais e outra para produtos de limpeza? Sabia que elas não podem ser feitas de produto muito resistente?Porque as bactérias se entranham nos tecidos mais fortes com mais facilidade.
E então? Você ainda acha mesmo que está ajudando a salvar o planeta?!
domingo, 15 de abril de 2012
O B R I G A D O
Pensei em escrever ou desenhar sorrisos, nesses dias em que estou morto por causa dos tantos outros que se passaram.
Pensei até em contar, mas sei que assustaria. E, de qualquer modo, meu silêncio contém pensamentos que não consigo decifrar, passeiam por dentro de minha cabeça, e por lá ficam, sorrindo sorrisos de desenho animado.
Eu poderia escrever uma porção – e uma porção é o tamanho ideal para tudo? – de histórias para personagens assimétricos, mas tenho medo de acabar distorcendo tudo. Eu queria saber descrever aquele dia ensolarado que fez hoje, mas agora o sol chora gotas de chuva.
Eu só queria, colorir com hidrocor esses dias secos e opacos, de apagar as bigornas que ameaçam cair sobre mim. São inúteis, eu já não posso ser moldado –
Estou pronto. E torto.
Pensei até em contar, mas sei que assustaria. E, de qualquer modo, meu silêncio contém pensamentos que não consigo decifrar, passeiam por dentro de minha cabeça, e por lá ficam, sorrindo sorrisos de desenho animado.
Eu poderia escrever uma porção – e uma porção é o tamanho ideal para tudo? – de histórias para personagens assimétricos, mas tenho medo de acabar distorcendo tudo. Eu queria saber descrever aquele dia ensolarado que fez hoje, mas agora o sol chora gotas de chuva.
Eu só queria, colorir com hidrocor esses dias secos e opacos, de apagar as bigornas que ameaçam cair sobre mim. São inúteis, eu já não posso ser moldado –
Estou pronto. E torto.
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