sexta-feira, 1 de junho de 2018

P R A Z E R, D I T A D U R A !



Eu sou a Ditadura
Que você ficou chamando.
Sou a intervenção militar
Agora no comando.
Estou aqui para avisar
Que a partir de agora
A lei sou eu.
E quem ousar me desafiar
Vai conhecer a minha força e truculência,
Minha arrogância e o meu poder.
Sua voz cala aqui,
E não existe mais livre expressão.
Reuniões estão proibidas,
Há sempre vagas nos meus porões.
Toda arte é censurada,
Todo artista é perigoso,
Intelectual não vale nada,
Cientista é ....
Pra você trago o exílio,
A tortura ou suicídio,
O sumiço, a cassação,
Depressão ou homicídio.
Melhor você não pensar,
Obedecer sem resistir.
Estou aqui para mandar,
Decidir e resolver.
E faço questão de dizer
Que eu vou moldar seu existir.
Ninguém consegue me conter,
Pois tenho armas de verdade,
Sei atirar e faço isso
Com vontade e prazer.
Se eu quiser você vive,
Se eu quiser você vai morrer.
Engole essa, já que pediu,
Pois vou fazer você sofrer.
E não me venha com esse papo de liberdade,
Igualdade ou constituição.
O seu problema é analfabetismo.
Quem mandou achar
Que eu sou solução?
Vai ter que aprender de novo
Que eu não nasci pra governar.
Minha missão é meu destino: mandar, mandar e mandar.
Democracia não é minha praia,
O meu mar é escuridão.
Sou o medo, E sou covarde,
E não aceito oposição.
Minha palavra é uma ordem
Que não admite argumentação.
Se arriscar o desafio
Te arrebento sem remorsos,
Pois não tenho coração.
Quem mandou não estudar,
Desconhecer a história
Da sua Nação?
Agora não adianta chorar.
E se chorar, te ponho na prisão.
Sem direito a habeas corpus ou devido processo legal.
Sem direito a advogado,
Sem visita e sem razão.
Eu não ligo para o que você pensa,
E o que eu penso não te interessa, não.
Eu escolho os inimigos,
Eu caço e destruo todos eles,
E não dou satisfação.
Sou terror e sou castigo,
Não tenho amigos, mas delator.
Eu me chamo o seu inferno,
E me alimento do seu pavor.
Eu sou a anti-esperança,
Que um dia você se encantou.
Eu sou a dura intolerância
Que você jamais imaginou.
Prazer, sou ditadura!
Venho mostrar meu desvalor.
Eu sou fonte de amarguras,
Não tenho lado nem cor.
Sou apenas a dita dura
Que vai fazer você morrer de amor...

domingo, 27 de maio de 2018

(Revisitando Carlos Drummond - E agora, José?)



E agora, mané?
A gasolina acabou,
a pobreza aumentou,
o gás subiu,
o patrão se irritou,
e agora, mané?
e agora, você?
você que não passou fome
que zombou dos pobres,
você que é perverso
que trama, “protesta”
e agora, mané?

Não respeita mulher,
Não respeita o discurso,
Não respeita carinho,
já não pode receber,
já não pode gastar,
divertir já não pode,
a noite esfriou,
o uber não veio,
o táxi não veio,
o motorista não veio
não veio a empatia
A democracia acabou
A democracia sumiu 
A democracia mofou,
e agora, mané?

E agora, mané?
Sua estúpida palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
seu raciocínio furreca,
sua palavra de agouro,
seu neurônio de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com o celular na mão
se faz de morta,
não há quem lhe suporta;
quer correr para conversar,
mas a paciência acabou;
quer ir para Miami,
Vôos não há mais!
Mané, e agora?

Se você pensasse,
se você algo lesse,
se você lembrasse
das aulas pertinentes,
se você ouvisse,
se você raciocinasse,
se você estudasse...
Mas você não acorda,
você é burro, mané!

Com o exército na rua
qual capitão do mato,
sem democracia,
sem algo que usufrua
para ostentar,
sem cavalo preto
Para fugir a galope,
você pasta, mané!
Mané, até quando?


terça-feira, 15 de maio de 2018

Padres e Pastores

Quando um sacerdote se torna excessivamente midiático, como ocorre com os padres cantores ou pastores,sua espontaneidade fica ameaçada.  Torna-se um personagem de si mesmo. A fama o sufoca.   Começa a se enxergar no espelho a sua imagem contida nos olhos de seus fãs.
   
Fábio de Melo  e outros, que cometem  intolerância religiosa ao ridicularizar a macumba.  De fato, eles expressam a visão preconceituosa da maioria dos católicos e evangélicos frente às tradições religiosas de matriz africana, consideradas por eles meras superstições.

A macumba promove oferendas de alimentos e bebidas, conhecidas como despachos, aos espíritos ou entidades. A pergunta que cabe fazer a nós, católicos e outros, é qual a diferença dos despachos de macumba com as salas de ex-votos nas igrejas? Não seria também mera superstição ofertar a Nossa Senhora ou ao santo protetor réplicas em cera de órgãos e membros cujas curas são atribuídas a milagres ou intervenção divina?

Lembro que  quando eu era criança, havia cofres para recolher ofertas em dinheiro. Um deles continha a placa “Para as almas”. Ainda hoje me pergunto como as almas embolsavam as ofertas...

Deus não tem religião. Tanto a galinha da macumba quanto o pão da eucaristia são objetos de fé de quem acredita no caráter sagrado da oferenda. O vinho da missa ou culto, e a cachaça do despacho, dependem da crença dos fiéis.

Não é fácil ser tolerante quando se está convencido de que sua religião é a única admitida por Deus. Ora, a árvore se conhece por seus frutos, disse Jesus. A boa religião é aquela que prega tolerância, compaixão, partilha, respeito  e serviços aos necessitados 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

silêncio no tribunal






Pouco antes de entrarem em cena, se dirigem, um a um, à sala de maquiagem. Reforçam a tinta capilar, remodelam a sobrancelha,
aparam pentelhinhos do nariz.
Todos pedem à moça que capriche na base e nos cremes.
Toca a campainha, eles ocupam seus lugares, o diretor grita "Ação" e seja o que
Deus quiser.
"Eu peço a palavra a Vossa Excelência para proclamar, com a vênia e a compreensão dos demais membros dessa Corte, que o progenitor de Vossa Excelência era um renomado ladravaz do alheio. Enquanto a cônjuge do mesmo, por equivalência legal, equiparação moral e justo paradigma progenitora de Vossa Excelência, faz jus, no amparo da lei, ao epíteto de mulher de vida desregrada."
"Por que Vossa Excelência não proclama, com todas as devidas palavras do embargo, o que está a blasfemar com as pouquíssimas que conhece? Que o meu pai era ladrão e que minha mãe era rameira e que, por conseguinte constitucional, eu sou um filho da puta?"
"Seria de bom tom que Vossa Excelência moderasse o vocabulário, pois não temos que ouvir aqui suas blasfêmias, vilanias, vilipêndios contumazes. Ate quando vamos ter que aturar sua presença nefasta e o seu linguajar de prostíbulo? É um desprazer cotidiano e contumaz sermos obrigados a conviver, nesse plenário, com a presença amarga de Vossa Excelência. Outrossim..."
"Outrossim, como diria Graciliano Ramos, é a puta que o pariu!"
"Data vênia, ainda não lhe concedi a palavra!"
"Então, peça vista e arquive a palavra no escaninho dos anais..."
Câmaras se deslocam para alguém, de voz suave e delicada, até então em silêncio:
"Senhores, eu peço que mantenham o nível!"
"Perdão, presidenta... Outrossim, como diria antes de ser interrompido, a presença infame e infamante de Vossa Excelência, que tanto deprecia e macula o ar desse ambiente..."
"O que macula o ar desse ambiente são os gases e o hálito de Vossa Excelência!"
Câmaras se deslocam novamente. A voz  da Presidenta, antes delicada, agora um pouco mais grave:
"Puta que o pariu, senhores! Podem manter o nível???"
Depois de servir água e café para todos, o copeiro levanta a mão e fala alto:
"Um momento da atenção de vocês, por favor!"
Param todos, espantados com a ousadia do rapaz. Os câmeras gelam. O diretor não sabe o que fazer. Antes do esperado grito de "Corta", o copeiro prossegue, dono da cena:
"Vocês acham que é para isso que eu pego dois ônibus e um trem todas as manhãs?! Para chegar aqui e ficar ouvindo esse bate-boca desagradável?!"
Deixa a bandeja de água e café, juntamente com a toalhinha branca, bem diante do laptop da presidenta. E dá as costas, resmungando:
"Ora, vão procurar um tanque de roupas! Uma lâmpada para trocar!! Uma Constituição para ler!!!"
Silêncio no tribunal.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Inexplicável e Inaceitável


A prisão de Lula, inexplicável e inaceitável para a razão, o retrocesso econômico-social da Nação, com o desmonte todos os avanços conseguidos na primeira década do século, e a instalação de um perigosíssimo clima de ódio entre nóss, com a desmoralização do Brasil que emergia no conceito internacional, e o assassinato da Marielle e do Anderson? Passado um mês,não se sabe de nenhum resultado das investigações, nem a mais inicial das pistas, como se o crime hediondo fosse “impossível” de ser esclarecido, isto é, praticado pelos próprios golpistas no poder,tal como as bombas do Rio centro de anos passados, explicadas de maneira ininteligível por um Coronel Job Lorena, depois promovido a general.
A fala esquisita do Comandante do Exército na véspera do julgamento do Lula, esquisita porque estranha a seu comportamento anterior, foi muitíssimo preocupante.

Mas a luta continua assim mesmo: pela democracia epelo desenvolvimento da Nação Brasileira.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

E S Q U E R D O P A T I A.


Claro amigo, ou algo parecido, já que não nos conhecemos verdadeiramente, amigo de Zap é um outro patamar da sociedade.
Li com atenção e paciência - muita - sua argumentação sobre porque me considera como um típico esquerdopata. Tive que concordar com você. Mas, entenda que nem sempre sofri disso. Nasci e fui criado em um ambiente saudável; ninguém, nem meus familiares, nem meus pediatras, perceberam essa esquerdopatia. Na adolescência surgiram os primeiro sinais, mas era muito difícil assumir. Branco, família classe média  para os padrões brasileiros, cheguei a estudar em colégio religiooso e convivia naquele ambiente em que as noites semanais eram divididas em antes e depois do Jornal Nacional. Ninguém poderia prever que a esquerdopatia estava em estado latente, podendo se desencadear a qualquer momento. Pensei em deixar a religião foi sem dúvida o momento mais difícil, sinal claro do avanço da doença. Passei anos sendo um quase ateu com o permanente sentimento de ter pecado contra Deus. Ser funcionário público na saúde antes e depois do SUS só fez piorar as coisas. Algumas décadas e a sorte de ter presenciado as reformas e avanços na saúde mental  me ajudaram a conviver com meus delírios.

Também não me escapou o fato de que, epidemiologicamente,  vivemos em umPaís que não conseguiu controlar a esquerdopatia, mesmo que não tenha sido possível, como muitos queriam, a total erradicação da moléstia. Por aqui  a esquerdopatia é cheia de comorbidades: baixo IDH, precariedade sanitária, desnutrição, altíssimo índice de mortalidade materno infantil, fome e outras mazelas.
Eis que surgiu um efeito colateral bizarro de uns tempos pra cá, algo a ser estudado ainda: na medida em que um conjunto de medidas públicas reduziu esses males, a esquerdopatia, ao invés de diminuir, aumentou, criando inclusive metástases.

É isso.
Saudações democráticas.   
                                                                                                               
Meu caminho é duro, o pior esquerdopata é o que não quer se curar!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

P O I S É, E N T Ã O!!!

 Sobre a ditadura (I)“O erro foi torturar [os presos políticos] e não matar” (youtube.com/ watch?v=6_catYXcZWE).

Sobre a ditadura (II):“Se ela tivesse matado mais gente, teria sido melhor” (dgabc.com.br/Noticia/120841/bolsonaro-isso-e-queda-torturar-e-nao-matar).

Sobre negros (I): “Quilombola não serve nem pra procriar” (congressoemfoco.uol.com.br/noticias/ bolsonaro-quilombola-nao-serve nem para procriar).

Sobre negros (II), ao ser perguntado sobre qual seria sua reação se um filho se relacionasse com uma negra: “Eu não corro o risco, meus filhos foram bem educados”. (youtube.com/watch?v=9T5ZSAO1MVg).

Sobre o massacre do Carandiru: “A PM deveria ter matado mais de mil presos, e não só 111" (jairbolsonaro.blogspot.com.br/2014/04/massacre-do-carandiru.html).

Sobre o país: “Só vai mudar com guerra civil, matando uns 30 mil” (youtube.com/ watch?v=-fMdCwlwg8E).

Sobre homossexuais: “Eu seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí” (https://goo. gl/U16ZNs).

Sobre estupro: “Não te estupro porque você é muito feia e não merece”, para a deputada Maria do Rosário (youtube.com/ watch?v=LD8-b4wvIjc).

Sobre honestidade: “Eu sonego imposto. Sonego o que for possível” (youtube.com/ watch?v=-fMdCwlwg8E).


Sobre a Amazônia: “A Amazônia não é do Brasil. Devemos entregá-la aos Estados Unidos porque não sabemos explorá-la” (youtube.com/ watch?v=pwxDm_yvaxk).

As frases  -  fascista, racista, misógino, homofóbico e entreguista, e que, fazem apologia de crimes - são do deputado Jair Bolsonaro. A autenticidade das citações pode ser conferida na internet. Que haja quem fala tais barbaridades, paciência. Idiotas existem. Mas é preocupante um idiota estar em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para presidente. Isso reflete no crescimento do neofascismo, que cria o clima de ódio responsável pelo assassinato de Marielle Franco e pelos tiros na caravana de Lula. É bom abrir o olho.
Quando, nos anos 20 do século passado, Hitler surgiu na Alemanha também foi considerado uma figura caricata. Deu no que deu.