sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Chuva de Palavras

Foi engraçado mesmo, estavam ali se olhando sem nada dizer, a metros de distância, se tocaram com o pensamento. Estava frio, o céu tinha cor de cimento, mas não queria chover, não para eles.
É um pouco estranho, e é tão normal ser quem se é. ele viu o que quis nela, ela viu o que quis nele, e então descobriram tudo o que não queríam e se despedaçaram em uma brincadeira de bem-me-quer-mal-me-quer.
Haviam correntes os mantendo afastados, mas finalmente foram mais fortes do que elas. E correram em direções opostas até os corpos se recomporem em um abraço apertado. Ele não conseguia respirar, e ela não poderia ter se importado menos.
As nuvens se moveram no céu, sentiram as gotas, uma chuva de palavras falarem por eles o que não poderíam dizer. Seus rostos adquiriam expressão. Ele sorriu, ela riu, a felicidade era óbvia, mas não sabíam até quando.
Enfim, a paisagem ao redor materializou-se, puderam ver os sapatos molhados e as janelas se fechando. Ouviram o plic-ploc da chuva, os passos apressados e o som dos seus corações safenados batendo como um só. Era a melhor música que já ouviram. Até as folhas dançavam...
Um arco-íris fugiu dos olhos deles e apareceu no céu, o transfomaram em escorregador e escorregaram até a profundeza dos sonhos.
Nunca mais foram vistos na superfície.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Céu na Praia

Era horário de verão, por isso o sol parecera atrasar seus próprios sonhos. Os relógios marcavam dezenove horas. Céu ainda estava sentada na areia da praia, ninguém conseguia tirá-la de lá.Ela ainda era uma garotinha que antecipava os sonhos atrasados do sol. E só queria ficar ali sentada contemplando o infinito, construindo seus castelos de muros altos e rios infestados de jacarés – para os outros eram apenas montes de areia, e conchas - e ela sabia que amanhã já teriam sido derrubados e destruídos por causas naturais ou nem tão naturais assim, mas ela reconstruiria tudo alegremente porque era sua fortaleza.Queria um guarda-sol imenso para ofuscar a claridade e poupar o tempo que gastava com protetor solar, queria também um moletom dez vezes maior que o seu tamanho para aquecer-se e sentir-se segura, mas queria, mais do que tudo, que a deixassem ser quem era.Gostaria que não a impedissem de apanhar areia e comer, que a deixassem correr em círculos até o mar, que não a chamassem de assassina por naufragar barquinhos de papel juntamente com sua tripulação invisível, que o vendedor de picolés compreendesse seu desgosto por escolhas e a deixasse sortear algum sabor de olhos fechados.Queria que não a condenassem por usar tênis na praia de vez em quando e não a olhassem estranho quando decidisse esconder-se em algum buraco cavado na areia, que acreditassem quando ela dissesse que nuvens podem ter a forma que desejamos e que há muitas escadas pendendo do céu.Mas, ninguém ali poderia compreender ou acreditar, pois viviam dizendo que estavam velhos demais para isso, tudo era do jeito que era e não podia ser transformado. Já para ela, tudo era fascinante, surpreendente, saboroso; e não importava se amargo fosse, nem de que forma as almas antigas viam o que ela enxergava.Achavam engraçado o jeito como ela balançava sobre os calcanhares e o modo como soprava a franja para longe dos olhos. Ficavam todos impressionados com o talento para discursos quando ela abria a boca, mas e daí? Ela só desejava que seus castelos de areia fossem mais significativos e importantes do que suas mãos sujas.

domingo, 27 de novembro de 2011

Você

Você, que carrega pelas ruas esse balão que não tem o ar dos meus pulmões, esse balão que me angustia.

Você, que não se cala nem quando está dormindo e gosta de contar histórias para quem quiser – e para quem não quiser – ouvir.

Você, que brinca com a comida e bebe a água que cai do céu, que rala os joelhos na estrada e ri da própria dor.

Você, que ainda não sentiu dores piores, mostra para mim o seu sorriso de menina que tem as janelas mais vivas que já vi na vida.

Você, que ri só de pensar em cócegas e esconde-esconde o próprio esconderijo para ninguém mais encontrá-la.

Você, que está sempre tão presente, não voe para tão longe de mim com seu balão de gás.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

F A N T A S M A S

O mundo girava, e ela podia sentir, o chão se abria logo abaixo, mas não era algo que importasse, ela nem ao menos necessitava do chão, andava nas nuvens e morava na lua. Até que um dia o vento fez seu equilíbrio desequilibrar-se, logo o vento que ela venerava. Caiu em uma nuvem muito baixa, sentiu o perigo se aproximar, estava fraca, vulnerável, ferida, quebrada, desequilibrada, afetada. Derrotada?
Sentiu a brisa tocar-lhe a face, os ventos pareciam mudar de direção. Estava assustada. Precisava fugir dali, para qualquer lugar. Sozinha. Com seus pensamentos interrompidos.Era invisível, e nem sequer precisava de capas mágicas ou de esconderijos. Era um fantasma pairando sobre o céu cinzento de algum mundo perdido. Ela olhava ao seu redor, e lá estavam elas, as pessoas que sorriam, para ela? Mas é claro que não, ela era só um fantasma invisível, e tolo.

sábado, 5 de novembro de 2011

Donos da Praça

Dono do melhor boteco do mundo, estava mais mal-humorado que o de costume domingo à noite. Nada a ver com a derrota do seu time. A bronca era porque, no caminho para o bar,ele ouvira dois casais defenderem a retirada de favelas do bairro. “Eles disseram: ‘Até quando esse pessoal vai ficar por aqui?’”, indignavam-se.O único boteco da Terra que tem uma espécie de editorial; lá pelas tantas o dono pede silêncio e deixa fluir sua revolta. Depois da queixa, escalou uma cliente, uma gringa que não falava português, para rodar a caixinha — uma embalagem de garrafa de uísque — onde recolhe doações para projetos sociais apoiados pelo bar.Ele só não estava mais irritado porque não ficara sabendo da manifestação de alguns moradores de Ipanema contra a construção de uma estação do metrô na Praça Nossa Senhora da Paz. Eles — que se julgam donos de um espaço público — alegam que a presença dos passageiros irá acabar com o sossego da praça, com o sossego deles. Alguns até levaram cartazes onde escreveram “A praça é nossa”. Como na velha piada: “Nossa de quem, cara-pálida?” Sim, a praça é nossa, de todos nós, pobres, ricos: é mantida com a grana de nossos impostos. O direito de moradores sobre aquele terreno não é maior nem menor do que o de qualquer outro cidadão.Outro dia, alguns moradores do Leblon também se disseram contra uma estação de metrô no bairro. Eles e seus vizinhos de Ipanema acham que moram numa espécie de condomínio fechado, só não têm coragem de confessar o preconceito contra aqueles que consideram invasores. Há uns 25 anos anos, houve manisfestação semelhante contra a decisão do governo Brizola de criar linhas de transporte coletivo que atravessasem o Rebouças e facilitasem o acesso aos dois bairros. Houve gente que propôs impedir a circulação dos ônibus nos fins de semana — isto, para impedir a presença de pobres nas suas praias. É assustador ainda ter quem aposte na segregação, que sonhe com a manutenção de um Brasil para os pobres e um outro para ricos. O caos de nossas cidades, a violência e a má situação de escolas, hospitais e etc. públicos são, em boa parte, consequência desta lógica desumana, egoísta e burra.

Um país só é bom se for bom para seus habitantes, para todos nós, juntos, felizes e misturados

F I N A D O S

Finados é um dia complicado.Mesmo quando a gente não vai ao cemitério nem compra flores. É um dia de saudade. Saudade, claro, dos que já não vivem entre a gente.Mas sente, também, saudade dos vivos.Dos tempos e das emoções vividas. Das pessoas que foram decisivas na nossa infância ou adolescência e que, por um motivo qualquer, e que, muitas vezes a gente nem sabe direito, não convive hoje, no dia a dia. E estas pessoas não morreram, estão vivas. A gente pode ligar pra elas, procurar, retomar contato ou pelo menos tentar.Mas não tenta deixa pra amanhã, pra depois,pra uma hora melhor.
A gente tem, muitas vezes, saudade de coisas,de objetos, de descobertas,de sabores. E, quase sempre, esta saudade não tem solução nem quando a gente se vê, de novo, frente a frente com o objeto do desejo, da saudade. Porque o gosto não é mais o mesmo, o cheiro não é mais o mesmo e, às vezes, até mesmo a pessoa, objeto e
Sujeito da saudade,não é mais a mesma.Tampouco sou saudosista,do tipo “os velhos tempos é que eram bons”. Cada coisa boa é boa no seu tempo .Até porque agente não era,ontem,a pessoa que é hoje.Não sentia do mesmo jeito, não sabia avaliar como avalia hoje. Não falaria as mesmas palavras,não faria as mesmas perguntas, não riria das mesmas histórias,não sentiria saudades das mesmas coisas.Reli, esta
semana, Carlos Drummond de Andrade. Não nego que senti saudade da minha juventude,da minha aparência. Senti saudade do nosso poeta maior. A partir deste dia 31 de outubro de 2011, todo dia 31 de outubro(aniversário do poeta, ano que vem serão 110 anos) será o dia D.Odia dele, de Drummond.
O que Drummond diria, hoje não sei. Mas relemdo o que ele disse,em 1940, no livro ‘Sentimento do Mundo’, num poema chamado‘Mãos Dadas’.

“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito,vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher,de uma história,não direi os suspiros ao anoitecer,a paisagem vista da janela,não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria,do tempo presente,os homens presentes, a vida presente.“



Eu preparo uma canção em que minha mãe se reconheça, todas as mães se reconheçam, e se olhem com dois olhos.
Caminho por uma rua que passa em muitos Paises se não me vêem, eu vejo, e saúdo velhos amigos.
Minha vida, nossas vidas formam um so Diamante. Aprendi novas Palavras, e tornei outras mais Belas!


Drummond merece todas as homenagens mas a escolha não foi das mais felizes. Dia D, pelo menos para mim, lembra a maior carnificina da história, quando, em 1940, os aliados desembarcaram na Normandia,o fim da segunda guerra mundial (se houver a terceira não restará ninguém para contar).Milhares de soldados foram mortos ao desembarcar na França debaixo do fogo de artilharia nazista.
Minha sugestão:em vez de Dia D por que não Dia da Pedra?
Foi o poema que mudou a poesia brasileira (“Tinha uma pedra no meio do caminho”).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Vestígio

Meu indicador tem uma nova cicatriz em espiral, por tua causa. É que acompanhei as formas disformes do teu cabelo e acabei ferido.
Atravessei tua armadura sem dificuldades e estou começando a compreender o porquê: Ela foi vestida do avesso.
Eu que gosto de inventar, inventei palavras para a nossa linguagem averbal, mas nem mesmo o meu vocabulário inventado foi o bastante para preencher tanto silêncio.
Desculpe se te observo com estas mãos que nada esquecem. É meu jeito de tentar te entender.
Acho que até senti teu grito passar pelos poros e veias. Fique ao meu lado.

Tua cicatriz sem história não me deixa partir, nem ficar, nem dormir.
Há uma promessa não feita que estou devendo. Dissolve-se enquanto o tempo corre. Enquanto o tempo corre.
O tempo corre... Corre!
Antes que tuas pernas esqueçam como era andar antes de mim.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

P O R Q U E O S M E D O S ?


Ela despertou minha curiosidade, e fazia tanto tempo que estava adormecida que decidi deixá-la viver um pouco na realidade.
Era estranho porque ela tinha aquele sorriso, que parecia o resultado de uma adição dos sorrisos, que gosto tanto. E aqueles olhos que mudavam de cor, me davam arrepios, e aquelas mãos que se encaixavam tão perfeitamente nas minhas, que eu me senti completo por alguns instantes.
Enquanto olhava dentro de seus olhos, quase acreditei que ele tivesse transferido seus próprios sentimentos para dentro de mim.
Ela tinha aquele poço frio, azul e fundo camuflado no rosto, e ele estava prestes a transbordar com todo o seu medo e amargura. Por algum motivo senti que isso a deixaria feliz, pois ela sobrevivia com os sentimentos de outro alguém.
Mas ela sentiu medo quando olhou dentro dos meus olhos, e então decidiu que não os olharia mais. Eu ainda não havia entendido esse medo que ela tinha de mim, e do meu olhar... Pois ele não quer machucar ninguém. Talvez fosse intimidador. E é mesmo verdade que ele conseguia descobrir coisas sobre as pessoas, que nem elas mesmas sabiam. E também é verdade, que ele podia sustentar o mais intenso dos olhares, sem vacilar, mas é verdade também, que poderia revelar quase tudo sobre mim, caso algum dia encontrasse outro olhar atento.
Talvez eu descubra uma forma de não afastar as pessoas, e assim, talvez eu aprenda a manter os olhos entreabertos, quando eles não estiverem fechados.
Eu continuarei assim, convivendo com o medo dos outros como se fossem os meus próprios, porque eu sou o pior dos monstros, e não tenho outros para temer.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Virgulas!

Priscila, minha revisora/parceira preferida,quando seu olhar felinidade
disse que meus escritos não tem pontuação, concordei, e fiquei tentando achar justificativas!
Ao escrever desenvolvemos o pensamento, com nosso olhar do dia a dia.

Quem é detalhista, vai inserir várias frases intercaladas pra explicar o assunto!

Quem é engraçado não vai escrever um texto sem humor!

O pessimista vai está retrato no seu texto.

Tem gente que gosta de exclamação?

Tudo é no exagero!!!Se a coisa está feia, feia mesmo!!!

Se tem uma boa idéia!Boa mesmo!!!

Quem gosta de dialógos, extrapola nos tavessões.

Quem é chegado a incertezas faz a festa com as interrogções.

Quem gosta de deixar as idéias em aberto, utilizam muitas reticências....

Eu ,como voce sabe, gosto de pausas, e, por, isso,uso, muitas,virgulas,mesmo,fora,de lugar,..
...e não sei por um Ponto Final.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SAPATO PRETO,CINTO MARROM

Ele orienta jovens universitários sobre como enfrentar a banca de julgamento, no dia da apresentação do Trabalho de Conclusão de curso.Entre tantas dicas de como não usar expressões chulas ou não copiar da Internet páginas e páginas da dissertação,quando arranca da seleta platéia gargalhadas por ser espirituoso e cheio de caretas dramáticas, o orientador começa a fazer considerações sobre o tema ‘O que vestir’, impensável para universitários pobres que não podem escolher entre a calça A ou B, pois só têm a A. Mudo de canal, abandono a aula.
Em outro canal, Guru de Yoga famoso está lançando seu esperado livro sobre como não usar sandálias, pois foram feitas para a areia, como diz a denominação ‘sand’ em inglês.
Ele fala, fala, diz que as do tipo Havaianas estão muito na moda, mas não carregam a liturgia de respeito que certas convenções sóciais exigem.Eu olho para a T.V. e lentamente deixo vir de minha boca as palavras de minha indignação:“
Mas o senhor não acha que é contraditório um homem que trabalha com coisas da energia espiritual,como o senhor, esta dando importância ou mesmo atribuindo força e poder a um item desprezível,como calçados,para a avaliação do valor de um ser humano?”. Silêncio do irrespondível.
A palavra sandália viria de uma raiz latina,nada tendo a ver com a tal areia inglesa que o Guru invocava, voltei em meu redemoinho de pensamentos para o outro Canal, no momento em que o palestrante, aos gritos: “Não, cinto marrom com sapato preto e meia branca, não! Jamais, nunca, em tempo algum; é uma combinação tão horrorosa que sempre que eu estou na banca e o sujeito está com esta combinação, mais que 9,5 não dou,pois fico hipnotizado de tanto horror diante de mim”.
Pobre de uma sociedade que instrumentaliza seus estudantes a valorizar a aparência, na completa inversão da sabedoria do que a roupa não faz o monge.Vaias para Gandhi; São Francisco de Assis; aplausos para socialites, estilistas, o circo dos bem nascidos, bem-sucedidos, bem arrumados. “Não usem anéis chamativos,nem profundas fendas nos vestidos para seduzir os velhos da banca”,continuava ele.E eu ali,achando risível a situaçâo, quando tudo o que uma instituição de ensino tem que fazer é fomentar a inteligência,formar cidadãos conscientes de seu valor social para além da vestimenta.

O que estão fazendo com os jovens,os professores universitários?

Para que tipo de vida os estão empurrando?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ERA TUDO SEMPRE IGUAL....

Incansavelmente estive tentando, mas pareçem um pesadelo. Eu estou caindo em queda livre, o chão esta próximo, quero gritar, mas minha boca torna-se incapaz de produzir sons. E era sempre tudo igual...
Um dia, o despertador tocou,acordei, as luzes foram acesas. O encanto foi quebrado, e eu cansei de ser mudo.
Com os olhos finalmente abertos, a dor foi insuportável, para mim como a kriptonita era para o super-homem: nocivo, letal, e verde.
A distância fora estabelecida, os laços haviam sido desfeitos há muito tempo.
Eu sempre volto a rir e achar a vida bela, a dançar na chuva, e correr com a boca aberta. É claro que ainda tento engolir o mundo, e sem medo de engasgar e perder a voz outra vez. É óbvio que ainda há kriptonitas de tocaia esperando por mim, mas agora, eu estou preparado para enfrentá-las.

É justo que eu não seja imortal, e decida morrer algum dia.

domingo, 9 de outubro de 2011

Adverbios de Modos, e outras intençoes

Quero ser do tipo que abusa dos advérbios.

Que toma muito café.

Que publica os incômodos.

Deliberada [mente] poesia.

Suficiente [mente] cafeína.

Ébria [mente] boas maneiras.

Quero ser do tipo que fotografa o advérbio

que molda o grau em várias intensidades.

Descarada [mente] teorias probabilísticas.

Delicada [mente] teorias e decisões.

Quero ser do tipo alguma-bossa-nova-e-tantas-outras-intenções.

Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)

Sou do tipo

doido,

inconstante,

confuso.



Ainda não decidi o que vou ser. Sou metade do tempo feliz (outra metade pensando no que é ser feliz).



Quem já falou comigo tem idéia de quem eu sou.

Quem convive comigo tem idéia do que eu posso ser.

Sou transformado pela vida todos os dias... um tanto pro bem, um tanto pro mal.

Toda definição é incompleta, irreal e passageira.

O que fui ontem, dificilmente serei amanhã.

Nunca duvide da minha idiotice,



eu posso sempre me superar...

domingo, 2 de outubro de 2011

I N S E N S A T O

Este teu lado obscuro de um jeito insensato.

Conhecer o teu mundo do lado de dentro.

Não temo cordas ameaçando meu corpo.

Há tempos fugi do teatro de marionetes.

Pra que vasculhar minha mente,

meus olhos denunciam antes e mais claramente.

Há uma porção de coisas sem explicação, que vou varrendo para baixo do chão.

O subterrâneo ficará pequeno para tanta falta.

Despido de toda e qualquer armadura, entregue aos perigos do desconhecido.

Sozinho tentando tapar o sol com dedos pequenos.

No final, quem morre sou eu.

Enquanto isso, quero repousar no teu pensamento.

Até entender esse medo de me perder para o passado, e de me perder entre as lembranças até desaparecer.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

É cedo demais para os sonhadores.

Tenho mania de inverter a ordem das coisas e sei que o teu sorriso em branco e preto jamais voltará a ter as cores que eu enxerguei. Você é meu ciclo. Minha inércia. Minha agonia. Você é parte de mim. E está em tudo.
Você está nas rugas que surgem a cada dia e na profundidade das olheiras que emolduram meus olhos. Está no desenho abstrato que eu faço na janela embaçada do carro e também na luz que vem na contramão. Está na primeira estrela que imaginei nascendo no céu da minha boca e no pedido que ela recebe. Principalmente no pedido.
Você está nestas palavras que sussurro, no meio da madrugada. É que quero que você acorde, mas você está hibernando há quilômetros de distância e não há nada que eu possa fazer. Mesmo assim, deixo um bilhete para quando você acordar. Se você acordar algum dia.
Só não quero mais passar as noites procurando pelas tuas mãos embaixo do meu travesseiro. Não enquanto elas não estiverem lá. Não enquanto você não quiser que elas estejam. Não enquanto você ignorar o quanto eu quero.
Mas não importa. Foge do meu controle.


Queria que você pudesse ver os lugares por aonde tenho andado. Tão cheios de cores. Tão cheios de sol. Tão diferentes de mim. Ainda.
Não vai demorar muito. Aprendi com as reticências a me deixar levar. Se tropeço em pés sem corpos é por pura distração. É que ainda estou tateando no escuro pela parte de você que me cabe. Mesmo depois da vírgula que dorme com a gente embaixo das cobertas.
Nesta vida, em que toda fantasia é metade, meus sonhos despertam comigo todas as manhãs. Desculpe-me se é cedo demais para os sonhadores.

domingo, 4 de setembro de 2011

REVISTAS E TV.

Não sou moralista, porque todo mundo gosta de sexo e, quando ele é bom,a pele fica uma beleza. Mas os canais de TV e as revistas em geral,estão exagerando.
A performance sexual virou uma obsessão? ‘Segredos para dominar na cama’, ‘Guia
da disfunção erétil’, ‘Transforme seu quarto em alcova’,‘Dicas para não dormir sozinho’ são alguns dos títulos que vejo na banca, em letras garrafais. A julgar pela sofisticação desses ‘segredos’ e ‘dicas’, o velho Kama Sutra parece conto de fadas, de tão inocente.
Uma leitora perguntou num desses consultórios de revistas, preocupadíssima, por que não onsegue mais atrair o marido, já que a frequência com que faziam sexo tinha diminuído de sete vezes por semana para cinco.
O médico escreveu que não havia o menor problema nisso, que o casal até era bem sadio e ativo para os padrões mundiais, mas diante do tom da pergunta, não acredito que ela tenha ficada satisfeita.
Outra reportagem aconselhava as leitoras a viverem em eterna festa.Nada de‘roupas de casa’;dentro de casa,os cabelos devem estar permanentemente penteados e brilhosos,
os vestidos, deslumbrantes, a maquiagem, sempre em dia e, de preferência, que tal ele nunca desconfiar de que ela vai ao banheiro?Talvez a autora desconheça a como é bom de vez em quando ficar com um moletonzinho sem sal, namorar nas almofadas vendo TV, tomando sorvete.

Foi-se o tempo em que as revistas femininas ensinavam a fazer receitas, a remendar uma calça
e a se atualizar sobre as últimas novidades dos produtos de limpeza—se a mulher sabe hoje realizar essas verdadeiras proezas, é para uso próprio e olhe lá. Mas outro dia um amigo me contou, todo orgulhoso, que sua mulher pregou um botão de uma camisa sua que foi uma beleza, que ele quase desmaiou de emoção porque desconhecia essa habilidade dela e, completou exagerado, que sentiu
tanto prazer quanto numa noite de sexo selvagem “Mas é a primeira e última vez, hein”, avisou ela.

Ex-escravas do lar,as mulheres tomaram ojerizaàs prendas domésticas.
O maior instrumento de libertação feminina não foi a pílula anticoncepcional, mas o micro-ondas e o delivery de comida por telefone. Folheando as páginas de estética e sexualidade das revistas, agente vê que a escravidão só trocou de senhor, e saiu da cozinha para o quarto. “Seja uma esposa diferente a cada dia da semana”,ensina uma revista—imagine a trabalheira.
A mulher que se recusa a passar uma aguinha num prato de vez em quando, a preparar o prato preferido dele e a dar uma revisada no armário do marido para ver se está tudo nos conformes age, inconscientemente, em honra da memória daquelas que não podiam votar, casar-se com o homem de sua escolha, divorciar-se quando o amor acabasse e usar uma sainha mais curtinha se lhe desse na telha.Enfim, dão um basta à exploração masculina.Mas, um dia, a natureza lhe dá de presente filhos homens. Daí ela vai jogar pelos ares a memória das guerreiras passadas e fazer exatamente o contrário do que dizia em seu discurso. E até chorar quando se oferecer para fazer uma bainha e eles desdenharem:
‘Ah, mãe dá um tempo, não enche o saco’. A vida é dura
para as mulheres e para quem tenta entendê-las

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

TREM BALA & BONDINHO>

Como pensar em trem-bala,na expansão do metrô e
e na modernização da Super Via se o poder público, apesar dos vários alertas e reclamações,não conseguiu dar um jeito no bondinho de Santa Teresa?Por que esperar a morte de sete pessoas para se decretar uma intervenção na empresa que cuida dos bondes?
Não dá para entender como o mesmo governo que construiu uma obra como o teleférico do Alemão não tenha tido capacidade de, manter o bonde nos trilhos.Melhor: claro que dá para entender. O serviço de SantaTeresa se tornou ruim e assassino porque foi vítima do descaso criminoso de quem deveria cuidar dele.
Não houve falta de recursos,mas de empenho e de interesse.
O bonde de Santa Teresa, esquecido por administrações, faz parte da cidade esquecida.É um meio de transporte deficitário, que não interessa aos empresários. O
bondinho, patrimônio da cidade, visto como arcaico, que não combina com uma equivocada e colonizada idéia de mudernidade.
A tragédia alerta para o risco de se tentar construir uma cidade baseada numa aparência de prosperidade; uma cidade-cenário, quase um parque temático,agradável apenas durante os eventos. Seria como dar uma nova versão para o absurdo cometido décadas atrás.
Para que nossa miséria nãoo chocasse, outdoors foram colocados para esconder as favelas—não se tratava de resolver o problema da pobreza,bastava impedir que ela fosse vista pelos visitantes.Não adianta fazer belas e imponentes instalações em torno da Avenida Francisco Bicalho se o Canal do Mangue continua a ressaltar a tragédia ambiental,social e sanitária que nos cerca. Não há maquiagem capaz de esconder
tantas e antigas mazelas.

sábado, 27 de agosto de 2011

D I E T A

Cientistas descobriram que a melhor maneira de manter o peso ideal!!!!
É evitar fartos almoços e jantares. Aconselham pequenas refeições a cada duas ou
três horas, coisa que faz há mais ou menos 40anos, Tio Obadias para horror de médicos e cônjuge.
Como ele diz, há quem só mastigue vegetais. Vacas também; quanto mais comem, mais engordam.
As baleias, gordas como ... baleias só comem frutos do mar, liberados por todos os endocrinologistas.
Conheço gente que passam a vida ora diminuindo, ora aumentando de volume que nem fole. Numa livraria dê uma olhada na seção de livros de dieta, poucos mostram fotos dos autores. No máximo um retratinho3x4,nunca de corpo inteiro.Quem me garante que esses caras que prometem transformar obesos(as)
em famintos Etiopanicos não se empanturram enquanto faturam em cima dos gordos(as)?
Nunca fiz dieta.Minto, sempre fiz — sem saber — a minha dieta (agora com aval científico).
É o seguinte: se quiser emagrecer, siga a dieta Somália.Passe fome e depois siga a minha dieta, que revelo sem fins lucrativos.
08h—xícara de café e uma fatia de pão com manteiga;
10h—um cachorro-quente e uma lata de cerveja.
13h—um Steinhager,quatro chopes e uma coxinha de galinha no bar da esquina.
15h—em outro boteco,o PF do dia.Pode ser bife rolê com arroz, feijão e macarrão.
Mais 4 ou 5 chopes. Para arrematar, cafezinho e chá de urubu (Underberg).
19h—sopa de ervilhas ou legumes.
Daí pra frente, só destilados, cerveja e tira-gostos. Couvert, doces, frutas e saladas,nem pensar.
Água, só um copinho depois de acordar e outro antes de
dormir...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

FA X I N E I R A


Era uma vez a faxineira que estava louca, porque encontrou a Casa da Mãe Joana imunda. Se soubesse disto antes de assinar aquele contrato de quatro anos, renováveis; mas fazer o que? Agora só restava arregaçar as mangas e cair dentro. Foi aí que ela decidiu começar não honrando o trato com os empregados mais velhos da mansão, que tinham construído o gigante há anos atrás. Além de faxineira é governanta, e precisa equilibrar contas, mesmo que alguns funcionários, não tão velhos, tenham recebido 130 por cento de aumento, não por culpa dela (estranhamente, são empregados que votam e decidem seu próprio aumento). Hostilizada, partiu para o maior desafio da sua vida: limpar craca pegajosa e resistente, em todos os aposentos (tarefa mais difícil que os 12 trabalhos de Hércules).
Tinhosa, subiu a rampa da esplanada até a dispensa.Ficou ppossesa com o vazio dos armários: não havia produtos disponíveis para uma boa faxina. Nem escovão e nem soda cáustica, que ela tinha certeza que tanto a auxiliaria contra aquele resistente, quase eterno, bolor. Ela desconfiou que no caminho até o supermercado, o dinheiro liberado para compras dos desinfetantes ía diminuindo misteriosamente, até sobrar bem pouquinho, que ainda era desperdiçado na aquisição de péssimos produtos. Num suspiro, ela gritou: "o mofo deu!".
Milagrosamente apareceram quatro empregados dos serviços gerais para ajudar, só com balde de água e vassoura com pouca piaçava, liderados por Pedro Simão Bacamarte. Mas instalou-se a briga por onde começar: "a garagem dos transporte está ruindo", disse um; "negativo, o ambulatório de saúde é que é grave", rebateu outro. "Podíamos começar pela sala dos cursos de Turismo". Zonza, ela que é braba vociferou: "abandonem educação e cultura, ataquem a agricultura nos jardins!". Tudo muito difícil porque a mansão era loteada entre moradores diversos, que apontavam os ocupantes dos 37 cômodos. Força, faxineira, tomara que você consiga!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

C I D A D E S

Eles já estão cansados, eles já estão dormindo, no centro da cidade
Saem dos seus trabalhos e ficam já instalados,
Sob os viadutos, sob todas marquizes - questão de comunidade
Equilibrismo possível, malabarismo possível;
Cobram-se com os jornais.
Comem migalhas , fazem as necessidades.
Dividem as dificuldades- questão de comunidade
Sonham com o fim de semana,
Suas mulheres guerreiras
Ficam insones à noite, cuidam de suas crianças,

Crianças, mulheres e homens, brincando, se amando na festa da marginalidade
Não voltam nunca pra caça, são prisioneiros da cidade

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

C O P A & M Í S

A roupa da candidata do Rio de Janeiro, toda feita com 400 cartões-postais, ganhou o prêmio da mais bonita.Se ela fosse politicamente incorreta, desfilaria com um traje típico intitulado “Bueiros Cariocas Explosivos”? Entrava na passarela e defronte do júri, “bum”, soltava uma bomba, sei lá, e ficava toda chamuscada. “Que Deus ilumine vocês porque a Light quer que vocês se explodam!” (Uma Marylin Monroe sobre o bueiro com a saia do vestido branco pegando fogo, segurando a roupa, “Marylin Carioca”.

Falta candidata negra no Miss Brasil.No máximo, algumas morenas, nenhuma mulata, todas de cabelo liso.

Procuro as negras deslumbrantes e não reconheço meu país naquele palco. Dizem que algumas que concorrem nas eliminatórias são lindas ,mas perdem nas provas de etiqueta, inteligência, determinação. Então tá combinado assim: 300 anos de escravidão, depois lançados no abandono,os negros não conseguiram treinar suas belíssimas negras no padrão exigido pelo Miss Universo.

Mudando pro sorteio da Copa, Fernanda Lima destacou que o Brasil era reconhecido internacionalmente como um país musical. Chamou Ana Carolina, que começou o espetáculo com duas versões de sucessos estrangeiros.

Eu estou louco ou é esquisito, pois temos clássicos de sobra para exibir. Ivan Lins desfiou seu rosário e abafou com ‘Madalena’ e ‘Começar de Novo’.

Gostei também dos quase negros, dos quase mulatos, dos quase brancos, dos quase índio da Sinfônica de Heliópolis e sua ‘Aquarela do Brasil’, mas eis que entra uma estabanada Ivete Sangalo cantando um ‘Hoje é dia de Ivete’.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

I N T O L E R Â N C I A

Duas orelhas arrancadas: a do líder na floresta (levada pelo pistoleiro como prova do assassinato há meses atrás), e agora a orelha do pai parecido com gay. Já estou esperando olhos e línguas retiradas na marra. Meu Brasil brasileiro, capaz de produzir três pérolas da loucura humana muderna: "tocamos fogo no índio Galdino porque pensamos que ele fosse um mendigo; foi brincadeira..."; "jogamos ovo nela porque ela é só uma puta de beira de avenida da Barra da Tijuca"; "batemos neles porque pensamos que eram gays". Não é só ódio aos gays, é a desaprovação do que pode parecer diferente. Uma sociedade que não admite direitos civis para os homossexuais, permitirá o espancamento do abraço "aveadado". Tudo começa quando criança ouvíamos que não é normal ser assim. Semente que vai crescendo no coração dos desajuizados (que palavrabonita, Juízo) até ser a árvore de vontade de arrancar um pedaço da carne.
O pai atacado faz fretes, vende sapatos na terra caipira, gosta de música sertaneja e tem 4 filhos adolescentes. O cara gosta de abraçar os filhos rapazes. Aperta-os contra o peito e afaga os cabelos, beijando-lhes a fronte. Um pai na grandeza da denominação, que ama, protege, ensina afeto. É quando um pé voa na feira agropecuária rumo as costas dele e o joga desacordado no chão. O homem-fera avança com a mandíbula rumo à orelha do "viado", arrancando um pedaço de carne. "Viado, viado, viado", gritos caninos entre baba, sangue, grama, lama, ódio. Os espancadores representam o pensamento do desamor, da condenação do afeto. Melhor espancar que amar um do mesmo sexo. A barraqueira do churraquinho espera os agressores irem embora, a multidão vai abrindo caminho, incapaz de frear os vampiros. "Arrancaram um pedaço da sua orelha, meu Deus. Mas prá que que vocês foram se abraçar?" Estamos todos perdidos entre perguntas do que pode e do que não pode, pois a violência retirou de nós o poder de ser aquilo que somos: humanos. Desde quando vestido curto justifica estupro? Quem disse que criança agitada tem que ser tratada com perna amarrada no pé da cama?
Neste exercício de "pensar" ,verbo que pode significar o oposto ao desprezo à vida do semelhante que em algo, a nós não se assemelha. Gordo, cadeirante, imigrantes/migrantes, todos merecem a dor humilhante, como mereceram negros, mulheres, judeus. imensa e Interminável lista histórica da intolerância.
Vamos ter que nos unir contra o desprezo ao diferente. O desvio não poderá ser explicação para o atentado à vida. Que mal pode haver num homem abraçando o outro?

M A N I F E S T O

Temos nos olhos brilho questionador e tonalidade inquietante.
Não nos interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Não temos respostas, somos o avesso.
Temos dúvidas e angústias
Somos o pior
Por isso, somos louco.
Somos os santos,pois não duvidamos das diferenças
e pedimos perdão pelas injustiças.
Escolhemos os amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não queremos só o ombro e o colo, queremos também a maior alegria.
Somos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não queremos risos previsíveis, nem choros piedosos.
Somos sérios, daqueles que nãonfazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não somos adultos nem chatos.
Mas metade infância e outra metade velhice!
Não esqueçemos o valor do vento no rosto;
Nunca temos pressa.
Temos amigos que sabem quem somos.
Somos loucos , bobos , sérios, crianças , velhos,pois
ainda não esqueçemos de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e esteril!

terça-feira, 19 de julho de 2011

E S T R A N H O

Tarde da noite
Eles perdem a linha outra vez
Ela jura que agora acabou
Ele sabe a bobagem que fez
Os gritos, a porta batendo
Ela quer que ele diga por quê
Não quero escutar, mas escuto
Sei que eles sabem que eu sei.
Tudo tão lento quanto o tempo aqui dentro.
A nossa dor
Nada é tão denso quanto o silêncio
Eu e eles no elevador.
Eu sei que eles sabem
Que andei bebendo
Que gritei pra lua
Que foi outra noite sem sono
Eles devem ter se assustado
Quando ouviram o vidro quebrando.
Escondo a mão enfaixada
Quando o elevador vai chegando
Intimidade entre estranhos
Perfume e pasta de dente
E um outro cheiro
Que a gente faz que não sente
O tempo aqui dentro,lento.
Eu e eles e a nossa dor
Denso quanto o tempo em silêncio
Eu e eles no elevador

HORÓSCOPO

Todo dia de manhã, antes mesmo do café, abrir o jornal
ver oque determina o astral
Finanças, amor , saúde,
"o que devo de fazer no relacionamento pessoal?"
Qual a pedra, a cor, a flor, a cueca,
A calça, a camisa, meu comportamento
...As desavenças dentro do lar serão ruins para à vida profissional
...Não ouça conselhos de amigos
Pois todos irão te fazer muito mal
...Um novo fato na vida complicará o teu campo sentimental
...Cansaço, perturbações, febre
Complicações neste período atual

Calado, abobado, sem mexer sequer o olhar
Logo num dia em que a terra
Na casa maior de Netuno, em função de Plutão
Regida por Vênus que emana os raios da força contra esse mal
banhada pela luz da lua em quarto crescente...paixão
Prenuncia uma fase repleta de benção...
Não faça, não saia, não fume, não fale, não coma
Não durmam não beba, não fale nada afinal
Em todos os jornais diários, e revistas semanais
O rosto ficando vermelho, o suor
O garfo caindo da mão, o leite sujando o chão,
O nó na garganta e o pior!

Vida real como atração turística.

Os guias turísticos profissionais, não devem ser contra os garotos de comunidade fornecerem informações da vivência pelas vielas, para os gringos que por lá forem fazer um passeio. Tipo "foi aqui nesta birosca que Zé Espinguela caiu duro, morto por um não sei o quê". É bacana, é divertido, é pitoresco. Mas como eles não são capacitados, e são acertadamente exagerados e fantasiosos, caberá ao competente guia, que o incorporou como auxiliar, dizer "só um minuto Joãosinho, senhores turistas, estamos diante das criações de mitos de uma vizinhança sobre seus acontecimentos. E se os formados forem do bem, farão estas criaturas falantes e que gostam de atender os "de fora", estudar e se tornarem diplomados. Coisas incríveis e outras impagáveis, de tão loucas, pois sem uma pitada de maluquice, a vida é muito chata. Todos morrerão de rir, e a população local estará dentro do passeio. Outras informações dos meninos poderão ser trabalhadas pelos profissionais, sem tirar-lhes o charme. E se os formados forem do bem, farão estas criaturas falantes e que gostam de atender os "de fora", estudar e se tornarem diplomados. Aliás, quem disse que estas enciclopédias científicas são 100% verdadeiras? A verdade é uma versão do real, e boa sorte para o nosso relacionamento com tantas versões. Jesus Cristo tinha estes olhos azuis que aparecem nos quadros que se tornaramverdade? Se Yemanjá é deusa negra, por que branca e gostosona de cabelo lisos nas imagens?
Melhor não excluir, vamos tentar incluir nossos semelhantes mais pobres na complementação das atividades, sem esquecer de instrumentalizá-los para um dia serem os maiorais destas atividades. Não é pena, é inclusão social que temos que praticar, senão a bomba explode. O que eu não acho legal é de cara dizer "não pode". Deixem eles serem estagiários nos locais da visitação às suas moradias. Já pensou que interessante ver a mãe do Zézinho fazendo o torresmo para os turistas comerem com cachaça na birosca? Muito além do hotel cinco estrelas, com voz e ginga,conhecer a vida real, se é que ela existe.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

BANANAS

Semana passada eu vi, na televisão, a cena chocante que foi uma banana jogada por um torcedor russo no jogador de futebol Roberto Carlos que, em sinal de protesto, abandonou o jogo sem dar uma banana com o braço. Eu também me senti agredido. É o racismo no futebol, ‘escapou de Branco Preto é’, a imagem me chocou tanto que eu sonhei com a Copa do Mundo de 2016. No meu sonho a taça mundial estava se realizando em Moscou e a seleção russa foi eliminada, na primeira fase, por uma seleção de negros africanos e todos os racistas enfartaram. Eu não desejo a morte de ninguém, mas acordei sorrindo. Se eu fosse o Roberto Carlos não sairia de campo como ele saiu, que é o que o torcedor racista queria. Eu pegaria a banana arremessada, descascaria sorrindo e comeria calmamente, c

como fazia o Guga, nos intervalos de partidas de tênis na ^branca^Europa.

B U E I R O S

Acabei de ver que mais um bueiro explodiu no Rio de Janeiro. Confesso que fiquei preocupado

e resolvi desabafar. Sabe quando você cresceu acreditando que só no chão se está seguro?

Na hora de aprender a andar de bicicleta, eu já ouvia:“Do chão não passa!”. Pois é, sempre tive este espaço como seguro na minha vida, mas... hoje, no Rio, ando (literalmente) bem apreensivo!

Logo eu que não sou chegado às alturas! Não gosto de andar em montanha russa, rezo toda vez que entro em elevador!

Será que agora preciso ter medo de andar na rua também? Sempre falei para a minha neta (Céu) não pisar em cima dos bueiros porque a tampa podia estar meio solta... Agora devo acrescentar: eles podem, de repente, sair pelos ares! No Rio de Janeiro não vale o ditado “o que vem de baixo não me atinge”.

Não sei quem é o responsável por esta situação inacreditável. A companhia de luz, de gás, o governo que não fiscaliza como deveria? Aliás, dizem que há mais de 130 bueiros com risco de

explodir na cidade! O fato é que a gente não pode ficar à mercê destes “acidentes” que se espalham. Como disse um comerciante: “parece um campo minado”.

Como andar com tranquilidade? A gente sempre acha que nada vai acontecer com a gente,

mas... Será? Mas, e se não fosse com a gente, e sim com um parente nosso, que ficasse com corpo queimado por conta deste absurdo? Ou o nosso carro atingido? Tenho uma amiga (Tatá )que mora perto de um destes “acontecimentos”e narrou um barulho horrível! A filha dela tinha acabado

de atravessar a rua! Imagina!Será que estou exagerando? Hum... Mas a ideia de bueiros

explodindo acaba me levando para outra situaçãol que vivemos. Como chegar em casa depois de uma chuva forte(não precisa nem ser tempestade)?É Um tal de rua alagada e gente ilhada sem poder se deslocar.

Sei não... Acho que a questão hoje é: eu só quero poder voltar para casa! Com segurança. Será que é tão difícil ter este direito?Pode ser a pé,de carro,de ônibus...Mas a gente precisa dos caminhos “livres”. Não dá pra ficar com medo de pisar no chão, né?

Tem gente que quando tem problemas costumam dizer: “Parece que perdi o chão!”. Pois é, o chão é muito significativo, a representação da estabilidade e segurança que buscamos no dia a dia.

Então, o chão ameaçador causa calafrios! Sou daquelas pessoas que gostam de saber onde está pisando. Mas confesso que fico mesmo injuriado com estes acontecimentos no trajeto.

Não posso admitir que tudo vire fumaça e se exploda!

Ou que inunde e não dê para passar!

Queremos soluções!

Agua e fogo apenas nos seus devidos lugares!

domingo, 17 de julho de 2011

L E M B R O

Cabeça que eu tenha sempre, para sempre lembrar.

Memória que eu nunca perca, para nunca esqueçer.
Tudo começou ha muito tempo, há tanta coisa ainda pra fazer.
Sem saber daquilo que é passado, o presente fica sempre mais difícil de se entender.
De repente, toda galera grita, e me convida pr'uma festa (modesta).
Caio na gandaia, vaio, berro

Vejo um copo de cachaça esquecido lá no canto (pro santo)Salve Jorge!
de alguém que algum dia nos sorria.
Tantas batalhas e no entanto, é hoje apenas uma das lembranças.
Brilho que realça as nossas danças, feridas que quem viveu a nossa etapa vai levar por toda vida.
É o que alimenta, a necessária alegria.
Coisa muito mais que realizada.
Quem sou eu pra dar conselhos, cortar o pique da galera.

Fico rindo com a boca bem cheia.
Memória que eu nunca perca, pra nunca esquecer (viver) que sou apenas uma pessoa,
e que devo sempre estar presente, repetindo, renovando,
o que o meu coração doido sente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Valores Religiosos??????

Somos livres para exercer qualquer fé, para acreditar em qualquer deus. Mas somos também livres para não acreditar em nenhum deus. O País é oficialmente laico, isso é fundamental para que possamos tocar nossas vidas em paz — quem acredita num deus tende a desconsiderar o deus alheio. Religiões costumam ter a lógica do certo e do errado; o Deus que salva é apenas aquele em que acreditamos; os outros não contam. Daí a importância de garantir a cada um a liberdade de crença e, também, evitar que as convicções religiosas contaminem a vida, que deve ser baseada no confronto de ideias e da tolerância. Qualquer religião tem o direito de não promover, em seus templos, o casamento de homossexuais ou de divorciados. Mas seus fiéis não têm o direito de tentar limitar a cidadania dos que pagam seus impostos. Nenhum deus pode ser usado como desculpa para a cassação de um direito. Para que nossos direitos — inclusive o que garante a liberdade de crença — sejam garantidos, temos que, admitir os direitos alheios. Princípios religiosos, não podem ser impostos a ninguém, muito menos a toda uma sociedade.
Semana passada, a Assembleia Legislativa analisou uma emenda, que incluía na Constituição estadual a garantia de que ninguém seria discriminado por sua orientação sexual — da mesma forma que, no Rio de Janeiro, não podemos discriminar evangélicos, negros, umbandistas, judeus, árabes, comunistas ou deficientes físicos, não poderíamos discriminar homossexuais ou mesmo heterossexuais. Parece óbvio? Mas não foi! Líderes religiosos ficaram contra a proposta. A deputada católica Myrian Rios (PDT) chegou a associar homossexualidade a pedofilia — como se este crime não fosse também praticado por heterossexuais e por religiosos.
Não sei se é o caso dela, mas, muitos políticos que tanto lutam por supostos valores religiosos e familiares não são tão enfáticos na defesa da honestidade no trato do dinheiro público. Parecem usar a religião mais como escudo para seus atos, estes sim, danosos a todos, crentes ou ateus. O suborno, corrompe o coração.
Pra terminar, quero os atuais "Santos" no inferno, e os atuais "demonios" no rosário!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Epitáfio

Quando eu morrer, desejo abrir os olhos e receber o abraço de uma boa alma. Quero sentir as nuvens sobre os pés, reencontrar pessoas pelas quais meus olhos derramaram gotas de saudade. Dizer as coisas que pensei nunca mais poder dizer, acreditar em vidas passadas e principalmente em futuras.

Quando eu morrer, quero não querer voltar a um mundo sem água e sem amor.
Quero morar em uma casa, feita dos tijolos que ergui com minhas bondades terrenas. Não precisar trancar as portas e poder admirar, através da janela aberta, as estrelas que passeiam na rua. Acabar me apaixonando por algum desses seres ou por todos eles.
Quero escutar ao vivo os ídolos que morreram antes de mim, ainda que isso pareça irônico, mesmo que a minha nuvem seja a mais turbulenta e distante.
Quando eu morrer, quero sentir nascer em mim um par de asas furadas,e aprender a voar apesar de tudo. Aprender a cair apesar de tudo.
Quero ser útil a alguém, fazer enxergar quem não pôde admirar as belezas de um mundo imperfeito, e suas desigualdades.
Quando eu morrer, não quero lágrimas. Quero só a dorzinha boa de quem, em algum momento, sorriu por mim.
Quando eu morrer,(espero que demore 100 anos) digam que sinto muito, e de tanto sentir meu coração parou.

domingo, 29 de maio de 2011

Voz, Para quem nao tem voz!!!!!!!

Costumo olhar meio de banda para essa coisa de medalhas, mas nâo quando concedida para premiar não uma pessoa, mas uma causa. Vivemos um momento histórico em que pela primeira vez,se está promovendo atitudes no combate à discriminação das diversas formas de amor.Viva o STF, o governo do Estado, a Prefeitura do Rio, e D.Oriani que saíram na frente desse movimento — mas não Dilma, que ‘vendeu’ aos deputados o material de combate à homofobia nas escolas para salvar Palocci.
A entrega da medalha a Ela aprovada no ano passado, mas, por problemas de agenda, ficou para este ano. Depois que Ela foi de atacada pelo deputado federal Jair Bobolnaro no programa ‘CQC’. É uma forma de dizer que o não compactuamos com nenhuma forma de preconceito, e Ela é um dos maiores símbolos da promoção da defesa dos direitos humanos e do combate à intolerância.
Faço questão de mencionar o Bol-bo-na-ro para que nunca nos esqueçamos suas posições de extrema-direita nas próximas eleições.O preconceito e a admiração pela ditadura não combinam com um País que lutou, durante anos, contra os valores pregados por esse senhor, a um custo de muitas vidas, somos capital mundial da alegria, da liberdade e da cordialidade, nossos maiores e melhores produtos exportação.
A nova comendadora , negra, bissexual e gordinha, diizer o que pensa e ser porta-voz das minorias não é uma tarefa fácil. Ela deve sofrer por ser sempre atacada por mentes obtusas e preconceituosas.
Ela sabe que não se julgam as pessoas pela cor da pele, por quanto pesam e ganham ou pelo que amam. Sabe olha direto para ooutro, não importando a embalagem ou a forma,e fica indignada quando seus irmãos – e por irmãos entenda-se o mundo todo — sejam diminuídos pelo olhar alheio, e como não tem papas na língua, não fica quieta diante das injustiças da vida,uma artista de opinião, que não simplesmente canta suas músicas, como se o mundo não existisse além de seus CDs e DVDs.Sinto falta do engajamento de boa parte dos artistas da geração de PRETA GIL, preocupados demais com a melhor pose para as fotos, com as listas de exigências de seus shows e com um bom mocismo para não prejudicar as vendas. Não é preciso viver numa ditadura para colocar a boca no trombone.

Tão importante quanto a restauração da democracia é fiscalizar se ela está atingindo a todos os cidadãos. Muitos ainda se encontram à margem da sociedade, com direitos negados por suas condições financeira, sexual ou física. Ainda há muito que fazer, e é importante sim, usar a fama para dar voz àqueles que não a têm. A arte nasce da contestação; o artista que gosta de tudo e de todos pode ser premiado com o sucesso e até ficar rico,mas, será esquecido.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

L E G A L I Z E !

Pensamos que vivemos,
que falamos o que pensamos.
Mas pensamos antes de falar.
Legalize a comunicação.
Legalize a liberdade de expressão!
Legalize a opção!
O pensamento tem poder.
Não adianta só pensar.
Temos que dizer!
As palavras têm poder.
Não adianta só falar.
Temos que fazer!
Depois a gente pensa.
Depois a gente diz.
Depois a gente faz...
o que tiver que fazer!
Deixem eles viverem em paz.
Cada um sabe o que faz.
Deixem o homem ter marido.
Deixem ela ter mulher.
Cada um sabe o que quer.
O que é que tem demais cada um ser o que é?
É uma proposta, cada um faça o que gosta.

Liberdade relativa não é liberdade.

Q U E R O ! ! ! ! !

Quero ser só o suficiente
...ser o arroz e o prato ,o apetite não precisa existir.
Quero o resgate de meus descuidos,
a cura pras minhas feridas e o meu cauterizante.
Sonho em deixar de errar e de a acreditar em meus erros.
Quero fazer parte da vida que tantos não tiveram tempo,e na morte, estar no meio do consolo e aproximação.
Quero sonhar acordado e dormir em meus sonhos...me desculpar por algo que não fiz e ser perdoado por perdoar.
Quero tudo igual ao nada diferente,ser relevante e indiferente.
Quero peixes numa gaiola.
Quero pássaros no aquário.
Quero santos atuais no inferno.
Quero demônios no rosário...

Religiâo

O uso de dinheiro público para contratar Professores para lecionarem sobre um tema relacionado às convicções individuais(Religião) e a adoção de um ensino de caráter confessional —com aulas de presença não obrigatória, serão ministradas por professores de diferentes religiões. A lei federal que diz que não poderá haver proselitismo — doutrinação — em sala de aula, mas isto será inevitável. Católicos e evangélicos vão afirmar que Jesus é o Salvador, muçulmanos dirão que ele é apenas um profeta, judeus continuarão a esperar pelo Messias, candomblecistas não entraram na briga, e os ateus aproveitarão o tempo de aula para jogar bola no pátio. Cada professor vai defender seu ponto de vista, sua verdade religiosa, todas igualmente respeitáveis e questionáveis. Não é possível deixar de fazer proselitismo; em matéria de religião, as verdades se excluem.Mas isso também ainda não é o pior. Nos últimos anos, temos assistido a um crescimento da intolerância religiosa. Para setores de algumas igrejas evangélicas pentecostais, as entidades cultuadas em religiões de matriz africana não passam de sorrateiras manifestações demoníacas. Também enxergam o dedo do Capeta na tradição católica de venerar imagens. O que para muitos pode parecer intolerância é, para eles, uma Verdade, creem ser necessário salvar ovelhas desgarradas. No mercado religioso há também os que tendem a desqualificar e estigmatizar os evangélicos. Vamos nós, pessoas de todas as religiões, e, mesmo, ateus, levar tantos preconceitos para as salas de aula? Vamos ajudar a dividir os alunos, a incentivar o que nos desune?Segundo o projeto, os professores deverão seguir “orientações emanadas da respectiva Autoridade Religiosa”, ou seja, farão o que seu mestre mandar — e não dá para garantir que estes irão valorizar todas as religiões. Seria melhor que o Estado tratasse de garantir a liberdade de fé, cada religião cuidaria de seus próprios fiéis. Não custa aplicar o velho ensinamento de separar o que é de César do que pertence a Deus.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um minuto

Um minuto
salva o conduto
pra falar sobre o produto que eu escuto
fruto de inspiração
milhares de minutos
disponho de um minuto
pausa pra respiração
um minuto é muito pouco
tem hora que um minuto pode ser tempo demais
um minuto de tormento
pode ser muito mais lento do que um minuto
de paz

com o tempo eu não discuto
o tempo me ensinou a aproveitar cada minuto como o
último minuto
um minuto de amor tem mais valor
um minuto de prazer vale mais do que um dia.
um minuto de reflexão,
é melhor do que o livro de minutos de sabedoria;
um minuto... e

quinta-feira, 31 de março de 2011

Diz que me ama!

Não te conto novidades, nada muito diferente, teorias sobre a gente, a angústia que me invade. Junto palavras já testadas: Amor, Saudade, Beijo, Despedida. Figuras repetidas, gastas que já não dizem nada. Extremamente fácil,banal, clichê, lugar-comum. Retratar a vida, te deixar feliz e comovida. E me fazer igual a qualquer um.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quero não, não vou não!!!!!!!!!!!

O público em cima do viaduto próximo ao Curral do Samba (Sambódromo))do Rio, é o antigo "puleiro", em versão moderna de concreto. A geral que não pode pagar ou não conseguiu ingresso, se espreme ao longe, inclusive arriscando-se. Quem vai tirá-los de lá?
É um grande momento cultural de país, e por isso merece uma abertura pomposa. E como é bonito ver aquela gente de perucas coloridas, gravatas hilárias, roupas extravagantes, todos de pé, cantando o Hino Nacional, com força e respeito cívico, carnaval e cidadania. Ao final, todos aplaudem delirantemente e cheios de orgulho. Nisso, uma mulher, no camarote, diz: "está errado; não se pode aplaudir o hino nacional...". perguntaram: "onde, como e quando esta lei foi escrita?". Ninguém soube responder, mas uma outra comentou: "é símbolo nacional, e não se aplaude mesmo....". A platéia é vida, e a vida é organismo vivo, pulsa. A vida é incontrolável, e quando o povo quer aplaudir ou vaiar, não adianta regras de etiqueta. A vida é maior que as regras, e não se deixa prender por elas. Será que a aula que esta gente freqüentou, eu faltei? A etiqueta só é boa quando ajuda o bom relacionamento, tipo dar bom dia, pedir por favor, abrir uma porta para alguém mais fraco passar. Rampas para cadeirantes, isso sim. Que bom o Hino Nacional na Sapucaí.
Tem também as mulheres, cujos atributos, ganharam o apelido de algumas frutas(Melão, Melancia, Morango,etc....)Será que elas se esqueceram que frutas duram somente uma safra? Frutas viram bagaço ou apodrecem!

Obama na Cinelândia?Não vou não, quero não!!!!!!!!

domingo, 6 de março de 2011

Vai passar nesta avenida um samba popular!

Neste Carnaval quero folias interiores. Quero toda a Avenida em silêncio, a euforia em cada sorriso. Rasgar a fantasia das pretensões e, gente despida de hipocrisias, deixar o eu mais solidário.
Fechar os ouvidos aos apitos e, mente alerta, deixar cair as máscaras do ego e, nas passarelas da transparência, ver desfilar a penúria da condição humana.

Aplaudir sambistas com fogo nos pés e as mulatas eletrizadas pelo ritmo da batucada, avessas as todas as crenças.

Nos Filhos de Gandhi, com os orixás de todas as religiões, para que a paz se irradie.em cima do trio elétrico, puxar o canto que semea estrelas.

Um enredo com a simplicidade e a beleza das histórias contadas às crianças, adereços, o mínimo. A nudez sendo a mais pura revelação de todas as virtudes; assim, ninguém terá vergonha de mostrar o que Deus não teve de criar. A rainha da bateria virá tão bela quanto uma vitória-régia pousada numa lagoa límpida.
A evolução da escola culminará em revolução: a fantasia se fará realidade!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O QUE SOBROU!

“A grande paixão que foi inspiração do poeta, é o enredo que emociona a Velha Guarda e a comissão de frente, a diretoria. Glória a quem trabalha o ano inteiro em mutirão! São escultores, pintores, bordadeiras, carpinteiros, vidraceiros, costureiras, figurinistas, desenhistas e artesãos...Gente empenhada em construir a ilusão, que têm sonhos, como a velha baiana, que foi passista, brincou em ala... Dizem que foi o grande amor de um mestre sala.”

Avis0u aos pais e irmãos que estava indo embora. Como sempre, chorou baixinho, num canto. Ele, como era de se esperar, disse: "não conte com minha ajuda....". "Pai, eu não estou te pedindo dinheiro. Acho que nem um abraço. Estou te dizendo que vou embora para sempre...". Um dos irmãos disse que iria voltar com o rabo entre as pernas. perguntou se eu sabia quantos descem de pau-de-arara para o Rio de Janeiro. Do alto dos dezenove anos sonhadores, nem imaginava o risco da empreitada, só queria partir.
O que mais chocava era a falta de perspectiva daquelas vidas, sempre moldadas no que os outros iriam pensar. Nunca disseram, um na cara do outro, o que realmente pensavam. Éram ilhas fingidoras, isoladas naquele arquipélago de desamor. O que queria ser piloto de aviões, desistiu. O que queria ser arquiteto não conseguiu. A mãe planejara uma vida feliz ao lado do homem que não a amava. A felicidade não veio, mas ela não largou a empreitada, mesmo afundada em tantas amantes dele. Havia o irmão menor, sendo usado por eles como moeda de troca. Ele (a) , filho do meio, empenhado em ter diploma e tecer redes de esperança de que um dia seria feliz, longe daquilo tudo. Pouco importava a violência, um dia tudo aquilo seria passado. Era preciso agüentar firme.
Naquela madrugada acordou feliz, se aprontou para a felicidade chamada futuro, e desceu as escadas. Para surpresa, o velho esperava já pronto na sala. Silêncio. Os rostos, iguais em tanta diferença, banhados em lágrimas. "Tá fazendo o que deveria ter feito na minha juventude, e não tive coragem de fazer". "Adeus pai...". E nunca olhou prá trás. Nada melhor que passar fome em liberdade. De que adianta comida se tem fazer o que não se gosta? Hoje, vejo desfilar nos blocos de sujos, de mascarados. São o que sobrou daquelas vidas sem planos pessoais, para a grande folia que é viver!
Neuber,Angra dos Reis,26 de fevereiro de 2011.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A fertilidade das cinzas

A capacidade de superar obstáculos e de renascer está tão enraizada em nos Brasileiros, como a beleza de nossa arte. Assim como os poetas do samba transformam tristeza em canções do mais puro encantamento, os trabalhadores e artistas que desfilam sua arte na Marquês de Sapucaí, sempre e apesar das s catástrofes da vida, fazem emergir uma energia de transformação que recria conceitos e fortalece ainda mais a nossa maior festa. Nossos olhos espantados se voltaram para a Cidade do Samba na última segunda-feira, certamente inundados de lágrimas, com o inacreditável incêndio que destruiu fantasias e alegorias de três escolas de samba — Grande Rio, Portela e União da Ilha — e do Barracão Cultural, onde funcionam os projetos sociais que formam artesãos para os bastidores desta grande festa popular. As labaredas espalharam pelo céu da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro mais do que fumaça. Espalharam a mensagem de destruição, não apenas de alegorias, fantasias e adereços, mas também de sonhos contidos nos projetos carnavalescos, mas também nos projetos de vida de milhares de artistas anônimos.
Nos bastidores da folia, milhares de pessoas, encontram trabalho que os resgatam das margens da sociedade e lançam sobre eles os holofotes da oportunidade e da autoestima(sem o seu trabalho, o homem não tem honra). O Carnaval vai muito além da Passarela do Samba, ou melhor, Curral do Samba. Ao longo de todo o ano, carnavalescos e compositores constroem a parte mais visível do espetáculo.
Ao mesmo tempo, um batalhão de anônimos trabalhadores costura tecido por tecido, cola pedrinha por pedrinha, esculpe e pinta cada detalhe de fantasia que brilhará na Sapucaí, dando vida à criação desses artistas, muitas vidas reencontram novos rumos a partir do samba e do Carnaval. Impossível não lembrar do mito grego da Fênix, que ao morrer é consumida pelo fogo, para renascer das cinzas. “Desde que o samba é samba é assim”, desde Tia Ciata é assim.
Superar a dor e transformá-la em alegria. Isso é uma das maiores lições do Carnaval. Tudo depende, é claro, da forma como vemos as coisas.
Quem não se lembra de histórias de Carnaval, no fim do desfile, componentes saindo com os pés todos machucados? Do incêndio do carro da Viradouro, com os foliões cantando para que a escola não perdesse pontos? Do tocador de surdo das baterias saírem com as mãos enfaixadas, das baianas superando o peso da idade e carregando as fantasias com leveza?!.
No ano da inauguração do Sambódromo(1984) a Mangueira no Desfile das Campeãs, foi até a Praça da Apoteose e dali voltou com todos os seus foliões cantando e dançando e aquela cena me marcou.
Quero poder me lembrar desses dias e ver que vi tanta coisa bonita e tirei lições para a minha vida. Através dessa festa pude perceber o quanto somos capazes de superar obstáculos, somos um povo nariz de Batata sim, temos misérias, corrupção também, mas somos um povo sem medo de ser feliz!
Com nosso jeito único de viver com arte, tenho certeza que será criado novos enredos de superação.

domingo, 23 de janeiro de 2011

M E I O


O que eu grito, é a metade do silêncio,


como a partida, é a metade da saudade.


O que ouço, é a metade do que falam.


O que eu penso. é a metade do que me aliena..


O que sei é a metade que do que fui.


Sou metade abrigo, metade cansaço,


Metade encontro,metade partida.


Metade chegada, metade despedida.




Ultrapassei os limites da sanidade,

mas não tenha receio,a outra metade é normal.

As minhas metades me completam, me fazem inteiro.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

VAI QUEM QUER, AZAR OU SORTE DE QUE FOR!

Dentre tantos olhares, que vi em imagens pela T.V;.do alto do carro de som na Lavagem da Sapucaí, o mundo parou: a imagem que vale mais que mil palavras, uma senhora passava a mão no rosto para escorrer as lágrimas que escorria de seus olhos, olhava o céu negro e o cimento cinza do chão. Parecia muito emocionada, a mágica daquele momento, que nunca mais se reproduzirá, tocou-lhe o coração. Muito feliz? Demasiadamente triste? Problema na família? Paixão? Desejo? Desespero? Não saberei, ela sabia que vivia no único país do mundo onde tudo aquilo que ela experimentava podia acontecer junto, na loucura paradoxal que a Escola de Samba é! Vestida de baiana, a senhora estava com as vestes brancas embabadadas das filhas ou mães de santo. Tinha flores nas mãos. Estava na procissão negra dos Orixás, tocavam os tambores que vieram com os navios negreiros, fogos explodiam, muita fumaça de defumação; e o que cantavam aos gritos, pulmões abertos? "Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura, sara todas as feridas, me ensina a ter santidade, faz um milagre em mim", sucesso gospel brasileiro. Antes tínham rezado o "pai nosso que está no céu" do Cristianismo. Portanto tantas possibilidades de fé encheram de emoção aquela sambista e ela chorou, agradecida. Claro que é uma hipótese, mas acho que tudo tem tudo a vê, numa só cerimônia. Talvez este conceito de Deus, de vários credos, quando invocados em conjunto se transformem numa só energia, calcinante e apaziguadora ao mesmo tempo.
Minutos antes, ela amarrava as ervas nas vassouras que as baianas do Abarajé iriam usar para varrer os maus presságios, a drag-queen gritou: "mas se não tiver banheiro gay eu vou ajeitar minha peruca onde?" Ela tocou na especificidade do carnaval que são as bichas do samba, que não podem usar o banheiro hetero por decisão própria, pois querem conforto e limpeza. Claro que podem ir onde quiserem, mas ssão elas(eles) que não querem ir, ninguém pode obrigar a nada. É muito brilho, muito vestido longo, salto agulha, plumas, que não podem arrastar na lama do banheiro hétero, que quase sempre são sujos

Tem coisas mesmo, que só acontece no país do carnaval! Tipo vai quem quer, azar ou sorte de quem for....


Nós gostamos tanto de religião que uma só é pouco. Ou seja, na hora de rezar, todo santo ajuda. Para desespero de xiitas de todas as religiões, nós soubemos adaptar diferentes formas de falar com Deus. Nos nossos altares, sempre cabe mais um.
Esta relação foi, nos últimos tempos, abalada pelo radicalismo de algumas denominações evangélicas. Manifestações tão familiares como a veneração de imagens em igrejas católicas ou as incorporações de entidades em cultos afro-brasileiros passaram a ser classificadas como expressões do demônio.

Todo mundo tem o direito de achar o que bem entender. O problema é que alguns mais exaltados, para propagar suas verdades, passaram a ofender e até a agredir os que com eles não compartilhavam da mesma crença, gestos incompatíveis com a nossa tradição de respeitar os deuses alheios e até mesmo de tirar uma casquinha deles. Nenhuma fé é melhor que a outra; nem a ausência de fé pode ser julgada. Todos somos livres para acreditar e também para não crer.

De uns tempos pra cá, notícias sobre ataques a terreiros se tornaram mais ou menos comuns, passeatas em defesa da liberdade religiosa precisaram ser organizadas. Sobrou até para o samba: alguns Sambistas andaram se queixando que, por influência de pastores, muita gente decidiu se afastar das quadras, o gênero musical passou a ser visto como uma extensão das religiões de matriz africana.
Isso tudo justifica minha alegria. Num Sambódromo lotado, mulheres com roupas usadas em cultos de umbanda ou candomblé engrossaram, emocionadas, o coro de ‘Faz um milagre em mim’, sucesso do evangélico Regis Danese, membro da Assembleia de Deus. Foi de arrepiar ver a canção Gospel sendo levada em ritmo de samba, acompanhada por vários percussionistas e pelo público. Aquele cortejo resgatou uma das nossas melhores características, como o respeito, a compreensão, a capacidade de absorver influências, a rejeição ao preconceito. A tolerância, assim como o samba, é nosso dom.

A pista de tantos desfiles foi lavada pela esperança e pelo desejo de uma convivência pacífica e agregadora.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Má Vontade e Preconceito

Me senti desembarcado de Marte na noite anterior e me perguntei “de que país a Veja está falando?”. Como um brasileiro e não integrar aquela ínfima minoria de 4% que avalia o Governo Lula como ruim ou péssimo, enxergei-me um completo idiota, pois pensava que o Governo Lula fora ótimo, bom ou regular. Se isso não se aplica a todas as “matérias” e artigos da dita retrospectiva, quero deter-me especialmente às páginas não-numeradas e não-assinadas, sob o título “Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo”. Ali, dentre outras raivosas adjetivações (e sem apontar quaisquer fatos), o Governo Lula é apontado como “o mais corrupto da República”.

Será ele o mais corrupto porque foi o primeiro Governo da República que colocou a Polícia Federal no encalço dos corruptos, a ponto de ter suas operações criticadas por expor aquelas pessoas à execração pública? Ou por ser o primeiro que levou até governadores à cadeia, um deles, aliás, objeto de matéria nesta mesma edição de Veja, à página 81? Ou será por ser este o primeiro Governo que fortaleceu a Controladoria-Geral da União e deu-lhe liberdade para investigar as fraudes que ocorriam desde sempre, desbaratando esquemas mafiosos que operavam desde os anos 90, (como as Sanguessugas, os Vampiros, os Gafanhotos, os Gabirus e tantos mais), e, em parceria com a PF e o Ministério Público, propiciar os inquéritos e as ações judiciais que hoje já se contam pelos milhares? Ou por ter indicado para dirigir o Ministério Público Federal o nome escolhido em primeiro lugar pelos membros da categoria, de modo a ter a mais ampla autonomia de atuação, inclusive contra o próprio Governo, quando fosse o caso? Ou já foram esquecidos os tempos do “Engavetador-Geral da República”?

Ou talvez tenha sido por haver criado um Sistema de Corregedorias que já expulsou do serviço público mais de 2.800 agentes públicos de todos os níveis, incluindo altos funcionários como procuradores federais e auditores fiscais, além de diretores e superintendentes de estatais (como os Correios e a Infraero). Ou talvez este seja o governo mais corrupto por haver aberto as contas públicas a toda a população, no Portal da Transparência, que exibe hoje as despesas realizadas até a noite de ontem, em tal nível de abertura que se tornou referência mundial reconhecida pela ONU, OCDE e demais organismos internacionais.

Poderia estender-me indefinidamente, enumerando os avanços concretos verificados no enfrentamento da corrupção, que é tão antiga no Brasil quanto no resto do mundo, sendo que a diferença que marcou este governo foi passar a investigá-la e revelá-la, ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, como sempre se fez por aqui.

Desta vez a “grande” revista conseguiu superar-se como confirmação final de que a cegueira, a má vontade, e o preconceito aonde conduzem!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Priscila II

Priscila pula do chão para a cadeira. Pula para a mesa. Pula para o colo.
Pula!

Pula porque está feliz.
Escuto seus sussurros e passos quando vêm pra mim.
Faço-me cumplice de seus silêncios.
As felinas não tem projetos nem sonha...

Ela é altiva, independente, caprichosa, vagamente indolente e sonâmbula... E tudo o resto que posso imaginar.
É importante não esquecer duas características importantes: olhar intenso e incorruptível.
Há a idéia da gata domesticada, afável, que salta para o nosso colo e ali fica, a ronronar, como se tivesse um motor de fraca potência...

Tem sete vidas. Morrerão todas ao mesmo tempo.


Quando chego mia, cultivando uma afabilidade inaudita e esfrega-se na minha canela.

Gosto de passar as mãos em seus pelos, e ela gosta de ser alisada.

Fita cada um dos meus gestos, com os olhos muito atento tentando entender, absolutamente parada, a cabeça tensa, as orelhas espetadas como se pudesse ouvir cada palavra que eu escrevo; que coisa veria, que sentido a prenderia?

Os homens mais velhos e as gatas mais novas, com sua feliminidade, não se interessam por coisas fúteis.